segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Capitalismo iscteano

(que bom estar de volta à inquietação do principiante)

Por falar em inquietação, ocorreu-me partilhar mais um imbróglio iscteano. Este novo busílis é, porém, inerente à produção científica do CIES (Centro de Investigação e Estudos em Sociologia). Para quem desconhece o cies, este constitui-se, enquanto corpo de investigação, coordenado por docentes de sociologia do iscte.

Quem não teve, ainda, o (des)prazer de folhear publicações do cies? Eu já tive. E posso garantir que, algumas dessas publicações, são produto de um profundo e extenso trabalho bibliográfico. Alguns desses estudos são constituídos por páginas, e mais páginas de referências bibliográficas: o rigor e a profundidade - teórica e empírica - dos gestores da sociologia performativa iscteana, no seu melhor.

O cies é composto por vários investigadoes, porém, nem todos são docentes. Alguns deles são alunos que, legitimamente, alimentam o sonho de consolidar uma carreira de investigação em sociologia. Mas a verdade é que estes alunos-investigadores, embora dotados de uma identidade investigadora, na sua maioria, são, cientificamente, abafados pelos gestores da sociologia performativa: os putos não são mencionados nos estudos; o seu contributo circunscreve-se às paredes do cies.

O que acontece é o seguinte: os inquestionáveis autores dos estudos (os docentes da sociologia iscteana) distribuem, aquando da realização de um projecto de investigação, referências bibliográficas pelos putos, aos quais, são pedidos resumos/fichas de leitura daquelas referências. O trabalho deste proleteraiado intelectual é, simplesmente, apropriado e, cientificamente, irreconhecido pelos gestores da sociologia performativa isctena.

Em relação à dimensão estatística dos estudos do cies, a situação é semelhnate. Os inquestionáveis, na sua maioria, demonstram grandes dificuldades em trabalhar com o SPSS (programa informático estatístico). Como tal, delegam os procedimentos informático-estatísticos a quem? Aos putos, pois claro.

Os gestores do saber performativo acenam com tostões e, sobretudo, com uma carreira de investigação sociológica. Os putos executam o que lhes é pedido, alimentando, constantemente, o sonho da oficialização de uma identidade profissional de investigação...alimentando, constantemente, o sonho de, um dia, verem a referência ao seu nome, nos estudos do cies.

Como sabemos, assiste-se, actualmente, no iscte, à imposição de um processo de responsabilização ética, inerente à produção de trabalhos académicos (falo da capa anti-plágio). Os gestores do saber performativo classificam - aquele processo - de urgente. Estes são os mesmos gestores que apropriam a dedicação dos putos...aqueles, a quem exigem capas anti-plágio, mas, aos quais, não dão o devido reconhecimento intelectual.

Ora, os gestores da sociologia performativa isctena exigem capas anti-plágio aos seus alunos. Em contrapartida, não reconhecem, intelectualmente, o contributo dos seus colaboradores-alunos, no que respeita a projectos de investigação. Onde está a honestidade intelectual, que dizem ser a grande justificação da capa anti-plágio?
De uma vez por todas, sejam coerentes!

Atenção: este procedimeto investigacional do cies, tem algumas excepções. É seguro, porém, afirmar que aquelas excepções são mesmo muito excepcionais.