Nos últimos anos, o campo sociológico português tem sido animado por vários encontros associativos que elegem a profissionalização dos sociólogos como um dos objectos principais de discussão. O ciclo de conferências “Sociologia, Ciência e Profissão” (várias cidades do país, 2003-2006) e os encontros “Futuros da Profissão Sociólogo” (Vendas Novas, 2006) e “O Estado da Sociologia em Portugal: Formação, Investigação e Profissionalização” (Lisboa, 2007), reflectem um interesse renovado por este debate na comunidade científico-profissional.
Se o novo fôlego do debate só parece ser comparável àquele que caracterizou os dois primeiros congressos portugueses de sociologia, já as condições em que ele ocorre parecem ser radicalmente diferentes daquelas que existiam em 1988 e em 1992. Com efeito, em meados dos anos 80, a profissionalização (diversificada e em grande escala) ainda era apenas um desafio a médio/longo prazo. A prospectiva constituía, então, a modalidade discursiva dominante. Actualmente, o debate da profissionalização já tem a própria profissionalização como referente, ou seja, já tem a possibilidade de fazer um balanço sobre os últimos 20 anos da profissão sociólogo no nosso país. A retrospectiva junta-se, assim, à prospectiva.
Provavelmente, sabemos hoje muito mais sobre a profissionalização dos sociólogos portugueses do que quando se iniciou o respectivo debate numa das sessões plenárias do I Congresso Português de Sociologia. Todavia, continuamos sem saber qual é o «modelo cultural» / «perfil profissional» dominante e as suas tendências de mudança/reprodução na comunidade sociológica portuguesa. Esta questão seria perfeitamente negligenciável se alguns dos mais prolíficos intervenientes no debate não lhe tivessem atribuído, ao longo das duas últimas décadas, tanta importância nas suas reflexões sobre a profissionalização. Mas foi justamente isso que aconteceu. Os nossos exercícios de prospectiva vêem-se, deste modo, reféns de um passado recente imaginário. Reféns de uma hagiografia colectiva que alguns de nós hesitam em submeter às mesmas exigências de validação empírica que, no resto do tempo e para todos os restantes objectos, constituem o farol indispensável das suas investigações científicas.
Se o novo fôlego do debate só parece ser comparável àquele que caracterizou os dois primeiros congressos portugueses de sociologia, já as condições em que ele ocorre parecem ser radicalmente diferentes daquelas que existiam em 1988 e em 1992. Com efeito, em meados dos anos 80, a profissionalização (diversificada e em grande escala) ainda era apenas um desafio a médio/longo prazo. A prospectiva constituía, então, a modalidade discursiva dominante. Actualmente, o debate da profissionalização já tem a própria profissionalização como referente, ou seja, já tem a possibilidade de fazer um balanço sobre os últimos 20 anos da profissão sociólogo no nosso país. A retrospectiva junta-se, assim, à prospectiva.
Provavelmente, sabemos hoje muito mais sobre a profissionalização dos sociólogos portugueses do que quando se iniciou o respectivo debate numa das sessões plenárias do I Congresso Português de Sociologia. Todavia, continuamos sem saber qual é o «modelo cultural» / «perfil profissional» dominante e as suas tendências de mudança/reprodução na comunidade sociológica portuguesa. Esta questão seria perfeitamente negligenciável se alguns dos mais prolíficos intervenientes no debate não lhe tivessem atribuído, ao longo das duas últimas décadas, tanta importância nas suas reflexões sobre a profissionalização. Mas foi justamente isso que aconteceu. Os nossos exercícios de prospectiva vêem-se, deste modo, reféns de um passado recente imaginário. Reféns de uma hagiografia colectiva que alguns de nós hesitam em submeter às mesmas exigências de validação empírica que, no resto do tempo e para todos os restantes objectos, constituem o farol indispensável das suas investigações científicas.
2 comentários:
Lembras-te do post "Mudam-se os tempos, mas não se mudam as vontades"?
Pois é, o "farol indispensável" não muda. É sempre o mesmo.
Finalmente, temos um elemento estatístico no nosso blog: o famoso contador de visitas.
É caso para dizer que temos conhecimento científico no nosso blog.
Brilhante! Sinto que a minha vida mudou ... para pior!
Óhóhóh...acabaram as aventuras de AFC...que tristeza!!!
Já lá diz o povão: façam o que digo, não façam o que eu faço!
E o cies faz tanta treta (para não dizer porcaria), porque não pô-los a «produzir» umas estatisticasinhas sobre a profissionalização dos sociólogos (só espero que não esqueçam os apresentadores de tv!)
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