Dizem as sábias línguas, que a capa anti-plágio é uma ferramenta preventiva. Pergunto-me então, se os artigos e projectos de investigação dos docentes, não merecem, também, a bênção da prevenção anti-plágio!? Dirão, os mais conformistas, que é uma comparação sem sentido, até porque o estatuto simbólico do docente, por si só, o torna imune e acima de qualquer suspeita de ilegalidade intelectual. Se assim fosse, ficaria mais tranquilo, pois quando deixasse de ser um rapazola malandreco, que pode, um dia, eventualmente, num futuro incerto, fazer coisas más nos trabalhos, reclamaria a minha dignidade de estudante.
Se a criação da capa anti-plágio pressupõe o reconhecimento de potencialidades plagiadoras dos discentes, não vejo porque não, a criação de capas preventivas das potencialidades de má docência dos docentes…ficaríamos, certamente, precavidos das trevas que ensombram o trabalho de quem ama a profissão de descobrir.
Saudações do lado das “Sociedades primitivas atrasadas”
3 comentários:
Pelos vistos, existem dois tipos de «actores» no instituto:
Aqueles que estão acima de qualquer suspeita (docentes/investigadores);
Aqueles que estão sempre sob suspeita (alunos).
O mais «engraçado» é que, num futuro não muito longínquo, alguns dos actuais alunos serão docentes/investigadores no instituto.
Imaginem o departamento de sociologia ou o cies a contratarem pessoas «acima de qualquer suspeita» que, num passado não muito longínquo, tinham estado «sempre sob suspeita»...
Portanto, meus amigos, ou é para todos em todos os momentos do trabalho académico, ou então não é para ninguém em circunstância alguma!
Decidam-se, gestores do saber performativo!
Os docentes/investigadores estão, de facto, acima de qualquer suspeita, mesmo quando plagiam programas (que,segundo consta, ainda não exigem capa anti-plágio).
Falando nisso, vou continuar a fazer o meu trabalho de ética...com muita ética, ou seja, sem plagiar e sem capa anti-plágio.
Aos gestores do saber performativo proponho a criação de um estatuto de aluno/investigador (até porque, eles dizem, que nós somos aprendizes de cientistas), que nos torne imúnes ap erro académico, e nos livre da suspeita trazida pela capa-mágica.
Daniel, o engraçado é que isso já se passa. Há alunos que trabalham no cies (e que são pau para toda a obra), que estão a "concluir" os seus percursos formativos. Isto cria uma dualidade hilariante: Por um lado, os aspirantes a investigadores, quando a trabalhar no cies, beneficiam da total confiança dos gestores do saber; por outro lado, os mesmos aspirantes a investigadores, quando desempenham o papel de alunos, sofrem a suspeita, inerente ao papel, por parte dos memos gestores do saber performativo...
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