quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Ao serviço do Império

“A ditadura instalou-se em Portugal com um objectivo imediato e com uma finalidade imperiosa (…) dar ao País, diminuído até então por uma política baixa de torpezas e inferioridades, ordem e moral – ambas quási inteiramente perdidas.
Ordem pública, ordem económica, ordem financeira, dignidade nacional – constituíam, por consequência, o objectivo imediato da Ditadura. Ordem política, reorganização do Estado pela adaptação do mecanismo político aos grandes objectivos da Nação, constituíam a sua finalidade imperiosa – a parte nobre, mais elevada, da sua razão de ser.
Em seis anos de vida não pôde ainda a Ditadura, por motivos que são por demais conhecidos, senão ordenar a vida financeira do país e assegurar a tranquilidade pública - não falando da acção local em determinados municípios.
O que há feito é muito - e é quási nada"

Almeida, João de, 1932, Ao serviço do Império V. O Estado Novo, p. v
(profecias de um militar de guerra, apoiante do golpe de 28 de Maio de 1926 - possivelmente terá tido papel activo naquele golpe).
Livro muito bom para quem, tal como eu, se interessa pela leitura de registos, transcritos na primeira pessoa, sobre o Estado Novo.

Em breve: Ao serviço do Império. A construção do sonho lusitano.

3 comentários:

Daniel Figueiredo disse...

"O que há feito é muito - e é quási nada"

Quantas ilusões alimentam as ditaduras!

Luís Miguel Santos disse...

28 de Maio sempre!!!

Qual ministro da informação iraquiano! As soluções providenciais, imediatas e indiscutíveis são impossíveis sem «suspensão da democracia»...

Antes, a desordem moral, financeira, política, pública e indignidade nacional, que uma alegada ordem, sebastianicamente, imposta.

Viva a liberdade e a divergência de pontos de vista

PS: pelo menos enquanto não formos os dominantes...éhéhéhéh!!!

Hugo Militão disse...

Quando um de nós for primeiro-ministro,não haverá blogues radicais,cartas de protesto,malandrices,etc,etc...