(que bom estar de volta à inquietação do principiante)
Por falar em inquietação, ocorreu-me partilhar mais um imbróglio iscteano. Este novo busílis é, porém, inerente à produção científica do CIES (Centro de Investigação e Estudos em Sociologia). Para quem desconhece o cies, este constitui-se, enquanto corpo de investigação, coordenado por docentes de sociologia do iscte.
Quem não teve, ainda, o (des)prazer de folhear publicações do cies? Eu já tive. E posso garantir que, algumas dessas publicações, são produto de um profundo e extenso trabalho bibliográfico. Alguns desses estudos são constituídos por páginas, e mais páginas de referências bibliográficas: o rigor e a profundidade - teórica e empírica - dos gestores da sociologia performativa iscteana, no seu melhor.
O cies é composto por vários investigadoes, porém, nem todos são docentes. Alguns deles são alunos que, legitimamente, alimentam o sonho de consolidar uma carreira de investigação em sociologia. Mas a verdade é que estes alunos-investigadores, embora dotados de uma identidade investigadora, na sua maioria, são, cientificamente, abafados pelos gestores da sociologia performativa: os putos não são mencionados nos estudos; o seu contributo circunscreve-se às paredes do cies.
O que acontece é o seguinte: os inquestionáveis autores dos estudos (os docentes da sociologia iscteana) distribuem, aquando da realização de um projecto de investigação, referências bibliográficas pelos putos, aos quais, são pedidos resumos/fichas de leitura daquelas referências. O trabalho deste proleteraiado intelectual é, simplesmente, apropriado e, cientificamente, irreconhecido pelos gestores da sociologia performativa isctena.
Em relação à dimensão estatística dos estudos do cies, a situação é semelhnate. Os inquestionáveis, na sua maioria, demonstram grandes dificuldades em trabalhar com o SPSS (programa informático estatístico). Como tal, delegam os procedimentos informático-estatísticos a quem? Aos putos, pois claro.
Os gestores do saber performativo acenam com tostões e, sobretudo, com uma carreira de investigação sociológica. Os putos executam o que lhes é pedido, alimentando, constantemente, o sonho da oficialização de uma identidade profissional de investigação...alimentando, constantemente, o sonho de, um dia, verem a referência ao seu nome, nos estudos do cies.
Como sabemos, assiste-se, actualmente, no iscte, à imposição de um processo de responsabilização ética, inerente à produção de trabalhos académicos (falo da capa anti-plágio). Os gestores do saber performativo classificam - aquele processo - de urgente. Estes são os mesmos gestores que apropriam a dedicação dos putos...aqueles, a quem exigem capas anti-plágio, mas, aos quais, não dão o devido reconhecimento intelectual.
Ora, os gestores da sociologia performativa isctena exigem capas anti-plágio aos seus alunos. Em contrapartida, não reconhecem, intelectualmente, o contributo dos seus colaboradores-alunos, no que respeita a projectos de investigação. Onde está a honestidade intelectual, que dizem ser a grande justificação da capa anti-plágio?
De uma vez por todas, sejam coerentes!
Atenção: este procedimeto investigacional do cies, tem algumas excepções. É seguro, porém, afirmar que aquelas excepções são mesmo muito excepcionais.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
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5 comentários:
O estatuto paradoxal dos «jovens investigadores» em Portugal: cada vez mais influentes porque o volume de «encomendas» não pára de aumentar e porque os «doutores» têm outras coisas para fazer; cada vez menos recompensados finaneira e simbolicamente pelo trabalho de »excelência» que realizam nos centros de investigação.
(Como é que acham que o CIES obteve a classificação de «excelente» na última avaliação da FCT?)
Não admira que as pessoas nesta situação se sintam desprezadas e/ou que aspirem a mudar de ares.
Sem estabilidade contratual e perspectivas de carreira, o «sonho» transforma-se rapidamente em «pesadelo»...
(...)
Saúdo o teu regresso, caro amigo!
(ainda por cima com um post tão corajoso como este)
Eu estive lá, experimentei o que era um sonho, vi os podres e desisti do que afinal até não gostei.
Agora, depois de tão bem ter-me iludido com as palavras de AFC sobre como em todos os empregos se exerce a profissão de Sociologia, sinto-me no dever de explicitar que não, não exerço a profissão de Socióloga. Mas pelo menos não tenho de ver a degradação explicitada neste post.
Ana Carina Motta
São as novas "prevenções" da heresia juvenil.
- E a Sociologia?!?
- Sim, essa mesma...a ciência.
- Ahhh...essa! Essa não interessa...
«Os putos» não é um título de um fado do Carlos do Carmo?! Eu acho que sim, ou seja, regressou so nosso convivio blogosférico mais um PLAGIADOR MALANDRECO!!!
Bem-vindo amigo, malndreco!
É verdade Luís.Parece que sou um plagiador malandreco.
Mas sou um plagiador honesto, uma vez que não assino declarações anti-plágio.
Aqueles abraços,seus malandros.
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