sábado, 28 de fevereiro de 2009

a pedagogia do adiamento, segundo RPP

Quando é que um@ principiante está preparad@ para ler um «clássico» da sociologia?


Lembrei-me desta questão ao recordar as aulas de teorias sociológicas do 1º ano da licenciatura leccionadas pelo professor RPP.

Dizia ele, aos seus alunos, que «não valia a pena lerem os clássicos».

Porquê?

Porque, segundo RPP, «não iam entender nada».

Dizia-o como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Como se «não entender nada» fosse uma fatalidade.

Sobretudo, como se ele não tivesse o dever de estimular o gosto pela descoberta nos seus alunos!

Ao mesmo tempo, porém, RPP não perdia uma oportunidade para sublinhar a importância de Durkheim, Simmel, Weber, Marx, Spencer, entre outros «clássicos».

O que, por si só, faz todo o sentido, pois se ele (um dos «gestores do saber performativo» com mais poder para decidir aquilo que conta e aquilo que não conta como «sociologia» no instituto) não lhes reconhecesse importância, não haveria nenhuma razão para continuarem a figurar nos programas das cadeiras de teorias sociológicas...

Não haveria, sequer, nenhuma razão para que RPP se preocupasse tanto com o assunto ao ponto de desencorajar explicitamente esse comportamento transgressivo que é a leitura dos «clássicos»!

[continua]

2 comentários:

Hugo Militão disse...

Não vale a pena ler os clássicos, o importante é cultivar árvores conceptuais...essas sim, são o futuro (e o presente) da teoria canónica da sociologia iscteana.
(!?) tretas...

Felizmente, ainda conseguimos contornar a abordagem canónica, por via de TSS...um grande bem haja à minha inspiração sociológica no iscte. Que saudades. Espero que não desista de cultivar a paixão de principiantes, como nós.

Luís Miguel Santos disse...

qual é a altura indicada para um mestrando arranjar orientador(a)!? (tenho dúvidas se é o segundo ano do mestrado... mas também não há manuais para isso, ou os que existem não me interessam!)