segunda-feira, 16 de março de 2009

«Acreditar na ciência» (2)

Émile Durkheim, 1912:


On objectera que la science est souvent l'antagoniste de l'opinion dont elle combat et rectifie les erreurs, mais elle ne peut réussir dans cette tâche que si elle a une suffisante autorité et elle ne peut tenir cette autorité que de l'opinion elle-même. Qu'un peuple n'ait pas foi dans la science, et toutes les démonstrations scientifiques seront sans influence sur les esprits. [Les Formes Élémentaires de la Vie Religieuse]

Ulrich Beck, 1986:


Under conditions of reflexive scientization, the production (or mobilization) of belief becomes a central source for the social enforcement of validity claims. Where science used to be convincing qua science, in view of the contradictory babble of scientific tongues, the faith in science or the faith in alternative science (or this method, this approach, this orientation) becomes decisive. [Risk Society: towards a new modernity]

Boaventura de Sousa Santos, 2007:

O que é característico do nosso tempo é o facto de a ciência moderna pertencer simultaneamente ao campo das ideias e ao campo das crenças. A crença na ciência excede em muito o que as ideias científicas nos permitem realizar. Assim, a relativa perda de confiança epistemológica na ciência, que percorreu toda a segunda metade do século XX, ocorreu de par com a crescente crença popular na ciência. [Para além do Pensamento Abissal: das linhas globais a uma ecologia de saberes]

3 comentários:

Luís Miguel Santos disse...

Não é por causa disto que BSS anda afastado dos currículos do instituto!?

Perdão, eu é que nunca devo ter visto uma bibliografia até à letra S!!!

Daniel Figueiredo disse...

Se foi por este tipo de coisas que BSS foi excluído, então não se pode dizer que os «gestores do saber performativo» estejam a ser muito coerentes.

Durkheim diz mais ou menos a mesma coisa e, no entanto, é uma figura intocável dos currículos...

(sendo que «figura intocável» é diferente de «autor passível de ser lido e dicutido com espírito crítico»)

Luís Miguel Santos disse...

Desde quando é que os «gestores do saber performativo» são coerentes?!

PS: Durkheim tem uma vantagem: não ter passado por Coimbra!!!