"Podemos dizer que um criminólogo é positivista quando adere às seguintes proposições:
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1.º O empirismo. A especulação não tem qualquer valor quando se trata de fazer ciência. Apenas contam os factos estabelecidos a partir da observação e da experimentação. O pensamento dedutivo e abstracto dos clássicos, como Beccaria e Bentham, é recusado como vã especulação pertencente a um estádio ultrapassado do pensamento: a idade da metafísica.
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2º O objecto que os positivistas atribuem à criminologia não é nem o crime nem a pena, mas o criminoso, ser distinto do não-criminoso. O crime não passa de uma abstracção, de uma noção jurídica sem interesse. A realidade concreta, a única que dá fundamento ao exame científico, é o criminoso. O seu crime é apenas um sintoma; o fenómeno essencial é a sua tendência para o crime. A explicação do comportamento criminal deve ser procurada nas predisposições para o crime, presentes em seres que se distinguem dos outros seres humanos. A criminologia deve dedicar-se a descobrir as diferenças físicas, psicológicas e sociais entre criminosos e não-criminosos.
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3º Os comportamentos criminais estão sujeitos a leis deterministas que não deixam espaço ao livre arbítrio. O crime não resulta nem da escolha nem do cálculo. O positivismo é um determinismo."
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Cusson, Maurice, 2006, Criminologia, pp. 59-60.
2 comentários:
O criminólogo (só para chatear: porque não, criminologista!?) positivista sempre deve ser mais interessante que o criminólogo negativista!?
Este tipo de criminólogo (o positivista) não tem caracteristicas psicológicas dos seres criminosos? (não estou a dizer que ser positivista é crime, nem o contrário!!!)
Torno a repetir aquilo que escrevi no teu post sobre Lombroso: suspeito que ainda existe muita gente a pensar e fazer ciência desta maneira em pleno século XXI...
«A especulação não tem qualquer valor»
Então de onde vem a ideia de uma tendência inata para o crime!?
De onde vem a crença de que a humanidade se divide em criminosos e não-criminosos!?
O positivismo é um misticismo.
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