Em Les Règles de la Méthode Sociologique (1894), Émile Durkheim propõe que passemos a «considerar os factos sociais como coisas» [tradução portuguesa, pág. 49 e ss.].
«E, com efeito, até agora, a sociologia tem tratado mais ou menos exclusivamente, não de coisas, mas de conceitos» - acrescenta o autor.
De quem é que Durkheim está a falar?
«só podem ser demonstradas uma vez constituída a ciência» (!?)
Das duas uma:
«E, com efeito, até agora, a sociologia tem tratado mais ou menos exclusivamente, não de coisas, mas de conceitos» - acrescenta o autor.
De quem é que Durkheim está a falar?
- De Auguste Comte e da sua teoria do desenvolvimento histórico: «tomou a noção que tinha do desenvolvimento histórico, e que não difere muito da do vulgo, pelo próprio desenvolvimento»;
- De Herbert Spencer e da sua definição de sociedade: «o que se define assim não é a sociedade, mas a ideia que dela faz Spencer»;
- De John Stuart Mill e do objecto que este atribui à economia política: «a matéria da economia política, assim compreendida, é feita não de realidades que se podem apontar com o dedo, mas de simples possíveis, de puras concepções do espírito».
«só podem ser demonstradas uma vez constituída a ciência» (!?)
Das duas uma:
- Durkheim tem razão nesta crítica, logo, perde toda a legitimidade para dizer em que consistem os factos sociais e como devemos tratá-los nas nossas pesquisas;
- Durkheim não tem razão nesta crítica, logo, as ideias de Comte, Spencer e Stuart Mill não podem ser descartadas só porque a ciência ainda não está suficientemente avançada para provar se elas são falsas ou verdadeiras.
2 comentários:
Nem mais.
Ninguém coloca em causa os «pais fundadores»...jamais
É daquelas coisas que me chateiam profundamente no Emílio (eu que gosto tanto de o ler): reparo nas críticas que ele faz a terceiros e fico muitas vezes com a sensação que aquilo que ele está a dizer se poderia aplicar a si mesmo e às suas ideias...
...então n'As Regras chega a ser verdadeiramente insuportável!
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