Quem não se lembra do axioma durkheimiano segundo o qual os «factos sociais» são distintos das suas «encarnações individuais»? [Les Règles de la Méthode Sociologique, tradução portuguesa, pág. 37 e ss.]
Ao longo da sua carreira, Émile Durkheim bater-se-á pelo reconhecimento da especificidade do «social», elegendo todos os signos do «individual» como referentes negativos daquilo que a sociologia (não) deveria tratar.
Porém, se hoje se pode dizer que esta «linha abissal» sobreviveu à morte de um dos seus maiores entusiastas, também se deve acrescentar que não é provável que esse sucesso póstumo tenha tido como causa determinante a argumentação de Durkheim sobre as diferenças entre o «social» e o «individual».
Neste ponto (como, aliás, em muitos outros), Durkheim ganha o combate não pelo valor intrínseco das suas ideias, mas sim por uma insistência verdadeiramente psicótica naquilo em que acredita (o que chega para fazer desistir muitos adversários, mas também para converter muitos incrédulos).
As lacunas no seu discurso, ou passam despercebidas, ou então são declaradas insignificantes para o entendimento das ideias (que assim são poupadas ao exame do debate livre e esclarecido).
Resultado: @ principiante menos prevenid@ acaba por dar o seu assentimento espontâneo a coisas que nada têm de indiscutíveis.
[continua]
Ao longo da sua carreira, Émile Durkheim bater-se-á pelo reconhecimento da especificidade do «social», elegendo todos os signos do «individual» como referentes negativos daquilo que a sociologia (não) deveria tratar.
Porém, se hoje se pode dizer que esta «linha abissal» sobreviveu à morte de um dos seus maiores entusiastas, também se deve acrescentar que não é provável que esse sucesso póstumo tenha tido como causa determinante a argumentação de Durkheim sobre as diferenças entre o «social» e o «individual».
Neste ponto (como, aliás, em muitos outros), Durkheim ganha o combate não pelo valor intrínseco das suas ideias, mas sim por uma insistência verdadeiramente psicótica naquilo em que acredita (o que chega para fazer desistir muitos adversários, mas também para converter muitos incrédulos).
As lacunas no seu discurso, ou passam despercebidas, ou então são declaradas insignificantes para o entendimento das ideias (que assim são poupadas ao exame do debate livre e esclarecido).
Resultado: @ principiante menos prevenid@ acaba por dar o seu assentimento espontâneo a coisas que nada têm de indiscutíveis.
[continua]
3 comentários:
Continua, mas só depois do jogo, não é? Apesar de SPORTINGUISTA...hoje, viva o Porto (no próximo fim de semana estão à vontade para perder).
E, já agora, viva o Durkheim. O Homem que nunca se engana.
Sabes quem é que o Durkheim d'As Regras me faz lembrar?
O Cavaco Silva!
(«nunca me engano e raramente tenho dúvidas»
O teu comentário foi mesmo em cima da hora do jogo...por pouco perdias o golo do Rodriguez!
Uma confissão pessoal: costumo ter sorte no amor quando o porto tem grandes vitórias europeias...nos próximos tempos pode ser que alguma moça se entreponha entre mim e a tese...
Viva a alegria!
O resultado foi optimo, mas não foi uma vitória... (desculpa quebrar a ilusão) por isso tem cuidado, não se´vá entrepor, entre ti e a tese, uma pessoa que se pareça com uma moça (as ilusões são extremamente perigosas!!!)
Mas sim, viva a alegria e, hojo só hoje, viva o Porto...
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