terça-feira, 7 de abril de 2009

Da estatística como instrumento de performatividade (2)

Regressemos ao nosso problema.


Émile Durkheim postula que os «factos sociais» são distintos das suas «encarnações individuais».

Mas será que essa «dissociação» se apresenta sempre com «nitidez»?

Será que ela é sempre «imediatamente observável»?

Como é que o observador pode ter a certeza que vai encontrar no «social» justamente aquilo que aponta para a existência de uma natureza sui generis (i.e. a característica de serem distintos do «individual»)?

Não se poderá dar o caso do observador também encontrar outros elementos onde só julgava existir «social», «social» e «social»?

Na verdade, apenas as duas últimas perguntas são da responsabilidade do autor deste post.

As duas primeiras foram feitas e respondidas pelo próprio Durkheim na seguinte passagem d'As Regras:

É claro que esta dissociação não se apresenta sempre com a mesma nitidez, mas basta que ela exista de um modo incontestável nos casos importantes e numerosos que acabamos de lembrar para provar que o facto social é distinto das suas repercussões individuais. Aliás, mesmo quando não é imediatamemte observável, podemos, por vezes, realizá-la com a ajuda de certos artifícios de método; é mesmo indispensável proceder a esta operação se quisermos isolar o facto social de todas as misturas para o observar em estado de pureza.

[Les Règles de la Méthode Sociologique, tradução portuguesa, pág. 42]

[continua]

3 comentários:

Hugo Militão disse...

Mas qual problema...meu caro, Durkheim e problema, são duas palavras que não podem estar juntas no memo post.
Segundo o "código deontológico da sociologia - a ciência «praticamente exacta»", colocar aquelas palavras no mesmo post, constitui contra-ordenação muito grave.
Tás tramado.

Luís Miguel Santos disse...

Continuas a levantar questões sobre o «deus soviológico», que apenas te quiz deixar a papinha toda feita... sois(mos) pobres e mal agradecidos!!!

Tás mesmo tramado!!!

Dautarin da Costa disse...

Abençoado seja o dia em que os sociólogos conseguirem observar o facto social limpo de todas as suas impurezas (sociais???)...eheheheheheheheh