Depois de afirmar (pela enésima vez!) que o social é qualquer coisa de diferente do individual, Émile Durkheim presenteia @ leitor@ com esta maravilhosa nota de rodapé (vale sempre a pena estar atent@ ao fundo de página!):
Segundo Durkheim, «há momentos em que a realidade é indecisa» («il y a des moments où la réalité est indécise»), isto é, momentos em que ela hesita caprichosamente entre fazer-se social ou fazer-se individual.
Mas porque é que ela tem obrigatoriamente de se decidir?
Porque é que esse estado sui generis de indecisão não se pode prolongar ad eternum?
Porque, diz o autor, se assim fosse, «não haveria nada no mundo que se distinguisse» («il n'y aurait rien de distinct dans le monde»).
Hum... «não haveria nada no mundo que se distinguisse» ou «não haveria nada no mundo que pudesse ser distinguido»?
Para Durkheim é exactamente igual, não fosse ele um especialista a fazer ontologia (coisas) com epistemologia (palavras)!
(e já dizia o adágio escolástico: quando deparares com uma contradição faz uma distinção)
Acrescentemos, para evitar qualquer interpretação inexacta, que não queremos dizer com isto que exista um ponto preciso em que termina o individual e em que começa o social. A associação não se estabelece de uma só vez e não produz todos os seus efeitos de forma imediata; necessita de tempo e, consequentemente, há momentos em que a realidade é indecisa. Assim, transita-se, sem interrupções, de uma distinção entre eles. De outro modo, se se admitisse que não há géneros distintos e que a evolução é contínua, não haveria nada no mundo que se distinguisse.[Le Suicide, tradução portuguesa, pág. 334]
Segundo Durkheim, «há momentos em que a realidade é indecisa» («il y a des moments où la réalité est indécise»), isto é, momentos em que ela hesita caprichosamente entre fazer-se social ou fazer-se individual.
Mas porque é que ela tem obrigatoriamente de se decidir?
Porque é que esse estado sui generis de indecisão não se pode prolongar ad eternum?
Porque, diz o autor, se assim fosse, «não haveria nada no mundo que se distinguisse» («il n'y aurait rien de distinct dans le monde»).
Hum... «não haveria nada no mundo que se distinguisse» ou «não haveria nada no mundo que pudesse ser distinguido»?
Para Durkheim é exactamente igual, não fosse ele um especialista a fazer ontologia (coisas) com epistemologia (palavras)!
(e já dizia o adágio escolástico: quando deparares com uma contradição faz uma distinção)
3 comentários:
Concordo mais com a hipótese «não haveria nada no mundo que pudesse ser distinguido».
A anulação da indecisão: um novo artifício metodológico à la Durkheim...
Eu gosto de pessoas empreendedoras e sem indecisões
Já lá dizia «o outro»: "Nunca me engano e raramente tenho dúvidas..." (peço desculpa se a citação não é correcta mas o espírito tem de ser esse!)
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