Lamento pela intermitência activista/bloguista, que me tem caracterizado nos últimos tempos. Tenho andado ocupado com aquilo a que chamam «tese de mestrado».
Infelizmente, devido a sequelas de malandrices extra académicas, a minha tese de mestrado passou para 74º plano - refira-se que, outrora, aquela tese ocupara o 73º posto, no ranking das minhas prioridades. Como devem calcular, isto é uma situação muito grave!
Depois de ter sido sujeito a uma intervenção cirúrgica, apresentei um atestado médico na secretaria, anexando uma cópia do mesmo, no requerimento que enviei para o presidente do ISCTE. Nesse requerimento, solicitei o adiamento do prazo de entrega da minha tese de mestrado.
No acto da realização do requerimento, fui confrontado com a descrença da funcionária que me atendeu: «Bom! Devo dizer-lhe que, sinceramente, não sei se, com Bolonha, estes pedidos têm consequência prática»...
Instalou-se, em mim, desde logo, a apreensão.
Menos de 24 horas após a realização do requerimento, recebi um mail, no qual, me foi dirigida a seguinte decisão:
"Em cumprimento com o despacho 21/2008 do Presidente do ISCTE, que estabelece os prazos para a entrega da dissertação de 30 de Junho ou 30 de Setembro do presente ano, cumpre-me informar que a sua solicitação foi indeferida, de acordo com o mesmo despacho, poderá inscrever-se de novo na dissertação até 12 de Dezembro de 2009, mediante o pagamento da propina de 500€ e respectiva taxa de inscrição".
Em menos de 24 horas, a decisão é comunicada ao requeredor. Que eficiência!
Não resisto a fazer esta observação: uma capa anti-plágio é suficiente para, através do seu valor «simbólico», inibir o potencial plagiador (existente em todos os alunos do ISCTE, sujeitos àquela medida preventiva). Um atestado médico não é suficiente para requerer um adiamento do prazo de entrega da tese de mestrado
Suficiente...só mesmo os 500 euros, mais inscrição...o resto é treta.
domingo, 5 de abril de 2009
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3 comentários:
Antes de Bolonha:
1) as pessoas aleijam-se;
2) as pessoas são operadas e entram num longo período de recuperação;
3) as pessoas pedem atestados para justificar faltas e/ou garantir que não serão prejudicadas no seu trabalho por terem estado inactivas;
4) os atestados são aceites e as pessoas retomam os afazeres que tinham deixado pendentes antes de se terem aleijado.
Bolonha:
1) as pessoas aleijam-se;
2) as pessoas são operadas e entram num longo período de recuperação;
3) as pessoas pedem atestados para justificar faltas e/ou garantir que não serão prejudicadas por terem estado inactivas;
4) os atestados são recusados (ao abrigo de um engenhoso «despacho presidencial») e as pessoas são obrigadas a cobrir os custos (€€€) de uma nova inscrição para retomarem os afazeres que tinham deixado pendentes antes de se terem aleijado.
O que é que isto tem a ver com Bolonha?
Bom, acho que o comentário da funcionária da secretaria não deixa dúvidas.
Abraço de solidariedade
PS: parabéns por teres 72 coisas na tua vida mais prioritárias do que a tese...
...já algumas pessoas que eu conheço...
O indiferimento não foi por culpa de bolonha... faltava uma declaração de não-plágio no atestado médico...
Respostas em menos de 24h... ainda há quem diga que o simplex não funciona!!!
No ISCTE, a pericialidade de um atestado médico só é válida mediante uma injecção de valor de 500 euros...eis um facto social à la Durkheim.
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