Comecemos pelas perguntas difíceis: o que é o social? Como pudemos acreditar que designa um universo objectivo e bem delimitado de fenómenos sui generis? Como se formou a crença de que estes fenómenos eram verdadeiramente distintos daqueles que químicos, biólogos e psicólogos já incluíam nos respectivos programas de investigação? E que só uma nova disciplina com ambições de cientificidade - a sociologia - poderia desvendar os seus segredos? Como pudemos advogar a explicação do social pelo social sem saber exactamente em que consiste o próprio princípio explicativo? Como é que uma ideia destas pôde fecundar tantos espíritos e ao mesmo tempo permanecer-lhes completamente ininteligível? Uma vez constituída, como pudemos acreditar que ela ficaria eternamente presa à sua condição de objecto da sociologia? O que nos garante que não ficaremos órfãos de objecto num futuro próximo? Que o objecto familiar se venha a transformar num objecto irreconhecível? Ou ainda que ele jamais tenha passado de uma quimera? Porque nos parecem bizarras estas hipóteses? Porque continuamos a evitar as perguntas difíceis?
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2 comentários:
"O que nos garante que não ficaremos órfãos de objecto num futuro próximo?"
Resposta: é simples...basta garantir que «pessoas como tu(nós)» não passem de pequenos parasitas da sociologia.
Tás piór que os putos!!! porquê porquê...? e mais porquês???
Se os gestores do saber performativo iscteano se lembram de te(nos) cobrar propinas à pergunta, vamos à falência!!! (seriamos nacionalizados!?)
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