sábado, 2 de maio de 2009

Eu também quero ser ciência, vá lá!!

Tenho tido, no âmbito do meu trabalho, dias de forma(ta)ção em mediação social, intercultural, sistémica, educativa, escolar, etc, etc e etc.
Na verdade, não sou ingénuo ao ponto de não reconhecer algumas mais-valias que estas forma(ta)ções trazem para o desenvolvimento do meu trabalho em intervenção social. Por outro lado, como sociólogo púbere, imberbe e principiantemente inquieto – que tenho o prazer de ser - tenho o vício de olhar para os bastidores das coisas, sobretudo, se são coisas-conhecimento.

Na última sessão do segundo módulo de forma(ta)ção, enquanto o meu olhar viajava entre os palcos e os bastidores, pude observar que entre os diapositivos, que apareciam e desapareciam ao ritmo das informações que disseminavam, a mediação, quase sorrateiramente, passava a ser ciência. Foi então que a minha irrequietude ganhou comichão. De repente estava perante uma nova “ciência”, que precisava de ser ciência para ser um conhecimento legitimado num mercado, exclusivamente, sedento de conhecimentos utilitaristas. Estava perante uma disciplina técnica disposta a renunciar a sua herança pluridisciplinar em nome de uma existência científica vazia. Porquê?
Porque no nosso mundo, o catálogo ciência significa legitimidade existencial nos processos de produção do próprio mundo. E para sermos científicos basta despir-mos a nossa herança não-científica, como se tivessem uma participação secundária na nossa existência.

Saudações do lado dos “países primitivos atrasados”

2 comentários:

Hugo Militão disse...

Tu foste «criado» no meio da ciência. Tu continuas a «crescer» no meio da ciência.
Não tens outra hipótese: quando te vês ao espelho, tu vês ciência.
Vai lá olhar-te ao espelho, e depois diz-me se tenho ou não razão.

Daniel Figueiredo disse...

Se o Lisandro dizia que até via o Ronaldo no reflexo da sopa, porque é que algum de nós deixaria de ver «ciência» sempre que se olha ao espelho?

O problema é que um espelho já não é só um espelho, mas sim uma máquina infernal de diapositivos com reivindicações de cientificidade...

Cuidem-se!

Eles andam aí!