Às vezes, para pensar os bairros e as Belas Vistas, é preciso um pingo de coração na razão...
No Ghetto que te pariu
Nas fronteiras da outra cidade
o parto da vida não se alegra no escorrega de sangue.
É acolhido pelo berço bordado a betão.
É mais um menino que carrega a leveza invisível de toneladas
que se acumulam nas fissuras da liberdade e igualdade da ilusão.
Meninos com a nostalgia da infância
que floresce nos paradoxos das saudades do que se desconhece.
É a distância da meninice e sua benção.
É fome, não é sede…
É o olhar que se banha nos chuveiros das tristezas.
É o corpo que se forja na musculatura dos dias.
É, enfim, mais um menino que se divorcia das tintas do contrato social…
Gritos que os cimentos abafam.
Silêncios que formam soldados das ruas.
Tropas de elite sem farda,
nas malhas da razão que se deixa enganar pela ilusão, tentação, opressão…
Não, não é invenção.
É o choro do destino
perdido nos labirintos da estigmatização .
Olhos se babam na dor do coração
perguntando: para quando a igualdade na melodia de uma canção?
quarta-feira, 20 de maio de 2009
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3 comentários:
Uma inquietação em verso: era mesmo disto que o blog estava a precisar!
Para quem não conhece este teu talento, será uma surpresa deveras agradável...
Muito bom...muito bom mesmo.
Este poema traduz o teu espírito. Mas volto a insistir: acho que deverias postar os poemas (os tais que também se identificam contigo)...eh,eh,eh
O que é isto!? Está tudo interessado em poemas de um «cientísta social»... a ciência assim não vai longe!!! vou apresentar uma queixa ao provedor do sociólogo...
Parabéns nano!!! tá excelente!!!
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