As razões do duplo estatuto privilegiado de Les Règles de la Méthode Sociologique devem ser procuradas na dialéctica entre o texto e os discursos que se foram produzindo a seu respeito desde a data da sua publicação (1895) até aos dias de hoje.
Embora não tenha realizado um exercício dessa amplitude (os meus conhecimentos sobre a trajectória do texto resumem-se a dois ou três estudos de recepção que tive oportunidade de ler), gostaria de partilhar convosco uma hipótese meramente exploratória.
Les Règles de la Méthode Sociologique conserva o estatuto de texto «clássico» (e, dentro desta categoria, o estatuto de texto «clássico» de elevada relevância pedagógica) porque lhe é reconhecida a capacidade de transmitir o axioma fundamental de toda a sociologia e de todas as sociologias: a existência de um objecto próprio distinto dos objectos das outras ciências.
Esqueçamos as «regras». Esqueçamos o «método». Esqueçamos a «epistemologia».
Se parecemos condenados a regressar ciclicamente ao texto, é porque o problema da legitimidade disciplinar continua a colocar-se a todos os praticantes da sociologia contemporânea.
Se continuamos a promovê-lo como ponto de partida da iniciação sociológica, é porque reconhecemos não ter outra resposta senão a que Durkheim nos ofereceu há mais de um século.
Afinal de contas, o ethos da ciência não se explica.
Ou se interioriza...ou então não se interioriza.
E àquel@s que o interiorizam com sacrifício e abnegação, chamamos «sociólog@s».
Embora não tenha realizado um exercício dessa amplitude (os meus conhecimentos sobre a trajectória do texto resumem-se a dois ou três estudos de recepção que tive oportunidade de ler), gostaria de partilhar convosco uma hipótese meramente exploratória.
Les Règles de la Méthode Sociologique conserva o estatuto de texto «clássico» (e, dentro desta categoria, o estatuto de texto «clássico» de elevada relevância pedagógica) porque lhe é reconhecida a capacidade de transmitir o axioma fundamental de toda a sociologia e de todas as sociologias: a existência de um objecto próprio distinto dos objectos das outras ciências.
Esqueçamos as «regras». Esqueçamos o «método». Esqueçamos a «epistemologia».
Se parecemos condenados a regressar ciclicamente ao texto, é porque o problema da legitimidade disciplinar continua a colocar-se a todos os praticantes da sociologia contemporânea.
Se continuamos a promovê-lo como ponto de partida da iniciação sociológica, é porque reconhecemos não ter outra resposta senão a que Durkheim nos ofereceu há mais de um século.
Afinal de contas, o ethos da ciência não se explica.
Ou se interioriza...ou então não se interioriza.
E àquel@s que o interiorizam com sacrifício e abnegação, chamamos «sociólog@s».
3 comentários:
Interiorizar sem ter a oportunidade de perceber o que estou a interiorizar... era só o que me faltava!!! para eles, faço uma "manuel pinhada"!!!
Afinal essa coisa de ser Sociólogo não é só ter um diploma a dizer "Licenciatura em Sociologia".
Afinal não é só ter um diploma conquistado à base de trabalhos não discutidos, copiados na net e aplaudidos por alguns mestres, indignos da designação - de Sociólogos - que carregam.
Finalmente! Finalmente sei o que é ser sociólogo.
Quando me perguntarem o que fazem os sociólogos, já sei o que responder.
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