...esse Deus da iniciação que nos exige mil e um sacrifícios em troca de uma promessa...
A promessa da «reconciliação»:
«Il n'en n'est pas moins vrai que l'étude scientifique des faits humains, en nous apprenant à dominer notre sens propre dans l'examen de ces questions qui soulèvent si aisément les passions, rapproche les intelligences et prépare les voies à leur réconciliation. Le seul terrain commun où des raisons individuelles puissent se rencontrer et s'unir sans abdiquer, ce sont les choses. Or le principal objet de la science est justement de nous tirer hors de nous-mêmes pour nous approcher de plus en plus des choses»[«L'enseignement philosophique et l'agrégation de philosophie», 1895, p. 27]
...«o único terreno comum onde as razões individuais se podem encontrar e unir sem abdicação são as coisas»
O que é isto?
Terá alguma coisa a ver com a regra «tratar os factos sociais como coisas» que aprendemos nas aulas de Metodologia?
O que diria o professor (aquele que comia as próprias palavras) de uma frase tão desconcertante quanto misteriosa?
[continua]
3 comentários:
A passagem "...le principal objet de la science est justement de nous tirer hors de nous-mêmes...".
Associo esta passagem a uma seita religiosa..."sai santanás, sai cá para fora!"
Alélúia irmãos!!!
Boa observação Hugo.
Essa passagem é um bom exemplo daquele «ascetismo» durkheimiano de que falei noutro post.
Curiosamente, ao contrário do que Durkheim afirma n'As Regras, aqui o ascetismo não está APENAS subordinado à obtenção de uma «verdade científica».
A «reconciliação das inteligências» é um projecto de maior alcance.
É uma utopia!
(espero voltar a estas ideias em breve)
PS: eu sei que é arriscado dizer coisas destas, mas, de qualquer das maneiras, aqui vai:
A «dupla ruptura epistemológica» do Boaventura tem origem em Durkheim.
Não é, ao contrário do que alguns poderão pensar, uma reacção contra a «ruptura epistemológica» de Durkheim, mas sim um entendimento mais amplo da obra de Durkheim...
(também espero voltar aqui!)
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