Lembro-me de olhar para o relógio.
Lembro-me de ver o professor de Metodologia colocar o pé na cadeira enquanto falava, gesticulava e comia as próprias palavras.
Lembro-me de cinco ou seis marmanj@s na fila da frente e uma multidão de caras sonolentas encostadas à parede do fundo (@s marmanj@s também estavam sonolent@s, mas, sabe-se lá porquê, tinham a lata de se sentar perto do quadro).
Lembro-me das folhas do caderno com conceitos, definições e setas a ligar caixas (ou seriam antes caixas a ligar setas?).
Lembro-me de ter dúvidas.
Lembro-me de colocar dúvidas.
Lembro-me de ficar ainda com mais dúvidas.
Lembro-me do dia em que o professor de Sociologia Geral pareceu humano (ele próprio fez questão de o reconhecer).
Lembro-me dos rabiscos imperceptíveis que ele desenhava no quadro.
Lembro-me de um professor de Teorias que gostava de deixar questões no ar (e de não perceber se era suposto acertarmos ou não).
Lembro-me de ele ter dito que não era preciso ler os «clássicos».
Lembro-me de uma professora de Metodologia que só falava dela própria (até ao dia em que alguém lhe perguntou pelo «pós-modernismo»).
Lembro-me de ela ter ficado deveras espantada quando uma aluna adivinhou em poucos instantes a brilhante conclusão de um dos seus trabalhos.
Lembro-me da azáfama do corredor.
Lembro-me das cadeirinhas de madeira.
Lembro-me da hora que não passava.
Lembro-me de querer fugir.
Lembro-me de ter ficado.
[continua]
Lembro-me de ver o professor de Metodologia colocar o pé na cadeira enquanto falava, gesticulava e comia as próprias palavras.
Lembro-me de cinco ou seis marmanj@s na fila da frente e uma multidão de caras sonolentas encostadas à parede do fundo (@s marmanj@s também estavam sonolent@s, mas, sabe-se lá porquê, tinham a lata de se sentar perto do quadro).
Lembro-me das folhas do caderno com conceitos, definições e setas a ligar caixas (ou seriam antes caixas a ligar setas?).
Lembro-me de ter dúvidas.
Lembro-me de colocar dúvidas.
Lembro-me de ficar ainda com mais dúvidas.
Lembro-me do dia em que o professor de Sociologia Geral pareceu humano (ele próprio fez questão de o reconhecer).
Lembro-me dos rabiscos imperceptíveis que ele desenhava no quadro.
Lembro-me de um professor de Teorias que gostava de deixar questões no ar (e de não perceber se era suposto acertarmos ou não).
Lembro-me de ele ter dito que não era preciso ler os «clássicos».
Lembro-me de uma professora de Metodologia que só falava dela própria (até ao dia em que alguém lhe perguntou pelo «pós-modernismo»).
Lembro-me de ela ter ficado deveras espantada quando uma aluna adivinhou em poucos instantes a brilhante conclusão de um dos seus trabalhos.
Lembro-me da azáfama do corredor.
Lembro-me das cadeirinhas de madeira.
Lembro-me da hora que não passava.
Lembro-me de querer fugir.
Lembro-me de ter ficado.
[continua]
3 comentários:
Marmanjo? Eu?!
Por esta altura, ainda eu escrevia apontamentos. Grandes testamentos por aula.
Curiosamente, ou não, os últimos tempos (no antigo iscte) foram passados com uma folha e uma caneta na mão, sendo que a folha dá para um semestre inteiro.
E ficaste porquê!?
Eu cá lembro-me de alguns gritinhos irritantes!!!
Lembro-me de mais coisas, mas tenho de fazer um esforço para as esquecer...
E aulas de Lab, alguém se lembra?!
Hugo: à medida que vamos progredindo nos estudos gastamos cada vez menos em material de estudo e livros e cada vez mais em propinas e despesas administrativas...
Luís: presumo que seja difícil um tipo lembrar-se de aulas em que raramente pôs os pés...
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