quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Do método suicida

Quando iniciei investigação para a tese não estava afastada a possibilidade de esta poder vir a abalar algumas das minhas convicções de sociólogo.

Devo confessar até que essa possibilidade (e todo o romantismo que ela trazia consigo) me fascinava bastante.

Era aliciante estar a fazer qualquer coisa que mexia comigo (e não apenas mais um trabalho ou a mera conclusão lógica de um percurso académico).

Hoje, tendo concluído o primeiro capítulo, pergunto-me se não estarei a arriscar em demasia, insistindo numa dinâmica de descoberta onde o gosto pelos altos vôos coincide com o horror aos pára-quedas.

«Restaurar o espectro da dúvida sobre a fundamentação da ontologia durkheimiana»: só um@ sociólog@ com muito pouco amor à pele se lembraria de tal coisa...

Estarei mesmo disposto a iniciar uma experiência que pode colocar em causa a pessoa em que me tornei?

Talvez não venha a ser capaz.

Ou talvez não seja humanamente possível operar uma ruptura biográfica dessa magnitude.

Tudo aquilo que sei é que não consigo trabalhar de outra maneira...

...e que o seguro escolar do ISCTE-IUL não cobre este tipo de riscos!

3 comentários:

Hugo Militão disse...

Já dizia o teu amigo João Pinto: "O Porto esteve à beira do precipício, mas soube dar um passo em frente".

Daniel Figueiredo disse...

De certa maneira, fazer uma tese é estar permanentemente à beira do precipício, esperando o melhor momento para dar um passo em frente...

Luís Miguel Santos disse...

Agora é que percebi todas as minhas dúvidas, exitaçõe e etc.... tenho medo de alturas!!!