terça-feira, 22 de setembro de 2009

O novo, o antigo e o inimaginável

Já imaginaram quão determinante pode ser o simples facto de se fazer uma disciplina em vez doutra ao longo de um percurso académico?

Cada vez que me lembro que ainda tive a oportunidade de frequentar a cadeira Teorias Sociológicas Contemporâneas: Debates no antigo modelo, não posso deixar de me sentir um felizardo.

Eram as únicas aulas pelas quais ansiava verdadeiramente ao longo do semestre.

Quantas vezes não desejei que o tempo se prolongasse, que não acabasse nunca e que pudéssemos ficar todos e todas para sempre envolvid@s naquela efervescência intelectual...

O que estaria hoje a fazer caso tivesse apanhado a cadeira no novo modelo?

Ou não estaria a fazer nenhuma tese ou então não estaria a fazer uma tese com o mesmo gosto desta que estou a fazer agora.

Afinal de contas, foi a reflexão sobre o estatuto dos clássicos em sociologia que me levou a Durkheim.

Foram aquelas aulas, aquele programa, aquel@s coleg@s, aquela professora e aquelas tertúlias que me fizeram voltar a pegar num livrinho que estava na prateleira a ganhar pó e ácaros.

Descobrindo «controvérsia» onde julgava que ela nunca poderia existir.

Desconstruindo a interpretação «controlada» que nos tinha sido imposta precocemente.

Hoje, quando penso no que vivi, quando folheio o tal livrinho e quando oiço um
compagnon de route dizer que aquele trabalho foi o que lhe deu mais gozo em 5 anos de «ensino superior», não posso deixar de me sentir um sortudo.

Infelizmente, @s coleg@s mais nov@s não poderão dizer o mesmo.

Nem sequer poderão suspeitar que uma cadeira da qual nunca ouviram falar, um programa que nunca tiveram em mãos e uma professora que nunca chegaram a conhecer, poderiam ter tido nel@s a salutar influência que tiveram em mim e n@s minh@s coleg@s.

Se el@s soubessem...

Adenda (24/09 - 15h): alterei o título.

3 comentários:

Hugo Militão disse...

Podes crer que foi o trabalho que me deu mais gozo.
Numa altura em que a desilusão era muita - e continua a ser - aquelas aulas, aquela voz e aquele trabalho foram um oásis.

Bem sabes como já fui vítima da minha forma de estar discreta nas aulas...nunca me esquecerei do momento em que a professora Teresa interrompeu uma aula para se dirigir a mim: «eu olho para si e sinto que você tem algo para dizer».

Foi muito bom ouvir aquilo. Mesmo que, naquele momento, não tenha conseguido esboçar mais do que um tímido gaguejar.

De facto,só podia ser o trabalho da minha vida.

Curioso Daniel...há algum tempo que pensava escrever sobre a motivação que os professores nos transmitem, e na forma como essa motivação (ou falta dela) se repercute ferozmente no resultado dos nossos trabalhos.

Luís Miguel Santos disse...

Ñ me chamem mais de estúpido, palerma, otário!!!

Se arrependimento matásse... eu já era mais um durkheimiano «auto-morto»!!!

Hugo Militão disse...

Luís...

estúpido, palerma, otário!!