Perguntam-me se «gosto» de fazer a tese.[PÂNICO: gosto? não gosto? gosto mais ou menos? é preciso gostar? e se for só um bocadinho? e se já estiver farto? e se ainda assim continuar a gostar? pode-se estar farto e gostar ao mesmo tempo?]
Apesar de me encontrar em visíveis dificuldades, o meu estimado interlocutor não desarma à espera de uma resposta.
[PÂNICO: sou mesmo imbecil, já devia ter dito que sim, que gosto, agora ele vai ficar a achar que não gosto e que não tiro gozo nenhum daquilo que ando a fazer há vários meses, lindo serviço, já devia saber que a melhor resposta é a resposta a pronto, a coisa morre logo ali e a vida continua]
Entretanto, para disfarçar, pego num copo e encho-o com água.
[PÂNICO: «disfarçar»? tenho ainda menos jeito para disfarçar do que para responder a perguntas sobre o meu trabalho, «trabalho»?, ora bem, eis aqui uma bela escapatória, afinal de contas não conheço muita gente que diga que gosta de trabalhar, conheço quem não se importe, é verdade, mas gostar, isso não]
Quase me engasgo.
[PÂNICO: quase, quase, quase, é sempre a mesma cantiga, ainda ontem estava quase, quase, quase a gostar de fazer a tese, rever o primeiro capítulo pode ser muito frustrante, a pessoa sente que está quase, quase, quase a ficar como ela quer, mas como nunca passa do quase, quase, quase, a única coisa que consegue é ficar mesmo, mesmo, mesmo exausta]
Depois de notar que o meu estimado interlocutor está agora de braços cruzados, decido virar os olhos para a televisão.
- «Então, em que é que ficamos?»
- «Não gosto deste programa. Importas-te que mude de canal?»
Tarefa para os próximos 6 meses: acabar a tese antes que o próximo ataque de pânico dê cabo de mim!
4 comentários:
eheheheheheheh...grande post!
Muito bem!
Um conselho em forma de interrogação:
Se tu não gostares da tua tese ... quem gostará?
Acho que tenho a solução: eu gosto da tua e tu gostas da minha.
O que achas?
Se não forem contra a poligamia eu posso gostar das vossas teses?!
PS:Daniel, tu falas com cada pessoa!!!
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