Há dias em que nada resulta, puxa-se pela cabeça, rabisca-se qualquer coisa, manda-se a tese às urtigas, torna-se a puxar novamente pela cabeça, rabisca-se novamente qualquer coisa, manda-se novamente a tese às urtigas, nada feito, é inútil insistir, e assim passam-se horas, por vezes dias, chegamos a duvidar da nossa inteligência, quiça da nossa vontade, será que é isto que eu quero?, e eis que decidimos ir para a cama, exaustos das tropelias diurnas, amanhã é que é, ou depois de amanhã, não importa, agora preciso de descansar, para estar pronto, para não ser apanhado desprevenido, para aproveitar quando a oportunidade surgir, ah!, a oportunidade!, estará para breve?, esperemos que sim, desejamos que sim, e assim nos agarramos à almofada, e assim fechamos os olhos, e assim, devagarinho, e assim, pé ante pé, e assim, sem fazer barulho, lá aparece, antes do previsto, a fa
da das intuições, tu?, agora?, neste preciso momento?, não dá para resistir, e eis que decidimos interromper o semi-sono, meio alegres, meio alucinados, começamos a fotografar mentalmente tudo aquilo que nos vem à cabeça, ah!, como é bom sentir o fluxo de ideias a atravessar o espírito!, não dá para parar, é viciante, é estonteante, por esta altura estamos mais despertos do que durante o dia inteiro, o mesmo dia em que tudo parecia estar perdido, não fosse a noite reservar esta enorme surpresa, continuam a chegar intuições de todo o lado, como é que eu não tinha dado conta desta?, vêm de todas as direcções, deixa-me agarrar-te que me escapas, primeiro uma, depois duas, três, quatro, de repente, começam a escapar muitas, muitas mais do que aquelas que conseguimos prender, estica-se o tentáculo aqui, estica-se o tentáculo acolá, é a dança das intuições, e eu a vê-las dançar, esperem, por favor, esperem, vou só ali buscar o bloco de notas e a caneta, alguma coisa tem de ficar guardada, alguma coisa tem de ficar comigo, alguma coisa tem de ser aproveitada, alguma coisa, alguma coisa, alguma coisa...
No dia seguinte, as olheiras.
da das intuições, tu?, agora?, neste preciso momento?, não dá para resistir, e eis que decidimos interromper o semi-sono, meio alegres, meio alucinados, começamos a fotografar mentalmente tudo aquilo que nos vem à cabeça, ah!, como é bom sentir o fluxo de ideias a atravessar o espírito!, não dá para parar, é viciante, é estonteante, por esta altura estamos mais despertos do que durante o dia inteiro, o mesmo dia em que tudo parecia estar perdido, não fosse a noite reservar esta enorme surpresa, continuam a chegar intuições de todo o lado, como é que eu não tinha dado conta desta?, vêm de todas as direcções, deixa-me agarrar-te que me escapas, primeiro uma, depois duas, três, quatro, de repente, começam a escapar muitas, muitas mais do que aquelas que conseguimos prender, estica-se o tentáculo aqui, estica-se o tentáculo acolá, é a dança das intuições, e eu a vê-las dançar, esperem, por favor, esperem, vou só ali buscar o bloco de notas e a caneta, alguma coisa tem de ficar guardada, alguma coisa tem de ficar comigo, alguma coisa tem de ser aproveitada, alguma coisa, alguma coisa, alguma coisa...No dia seguinte, as olheiras.
2 comentários:
Ainda há quem diga que é mau ter um sono leve ou custar a adormecer!!!
Conheço bem esse vazio inspiracional.
Não há nada pior do que passar horas em frente a um computador e sentir, no final do dia, que não avançámos nada.
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