
Chamem-me desmancha-prazeres, digam-me que estou a ser injusto, que o pessimismo não é solução, e que há sempre duas maneiras de ver um copo com água, mas não consigo deixar de pensar que podíamos ser muitos e muitas mais, em número, em força, em entusiasmo, em reivindicação, não tenho dúvidas que ir à luta é uma coisa maravilhosa, mostrar os dentes, cerrar os punhos, olhar para trás e ver a multidão a marchar, é nestes raros momentos que desperta o espírito adormecido do movimento estudantil, figura basilar da democracia, feita de ti e de mim, de todas e de todos, para além das diferenças, acima das divisões, uma causa comum, e, no entanto, podíamos ser muitos e muitas mais, podíamos fazer estas coisas com maior frequência, levar a marcha a cada universidade e a cada politécnico, trazer professores, convocar funcionários, mobilizar pais, mães e familiares, afinal de contas, todos estamos implicados, quem frequenta agora o ensino superior, quem frequentou no passado, quem frequentará no futuro, quem nunca pôde, quem teve de desistir, quem gostaria de prosseguir, haverá público mais vasto do que este?, e, no entanto, aqueles e aquelas que marcham, marcham juntos, é certo, mas separados, não tenhamos ilusões, a unidade é coisa provisória, efémera, oportunista, basta circular lá dentro, vir cá pra fora, e voltar outra vez lá para dentro, cada grupo tem as suas razões, as suas clientelas, as suas idiossincrasias, pedir mais iria ferir-los de morte, a sua natureza é sectária, ou acham que a juventude do bloco tem os mesmos objectivos da associação académica de coimbra?, obviamente que não, obviamente que sabe a pouco, mesmo que saiba bem, mesmo que fiquem promessas de ressuscitar o movimento, de vigiar o ministro, voltar novamente à rua, pró'ano, prá'manhã, ou pra quando já for demasiado tarde?, ..., podíamos ser muitos e muitas mais, ora bolas.
2 comentários:
É verdade que poderíamos ser mais. Mas a força, essa, foi inesgotável.
«O Manifesto Participativo», por Daniel Figueiredo.
Ao ler esta excelente incitação à participação, fiquei apenas com uma dúvida: Será que o copo ainda tem água?! não estaremos a olhar de duas formas para um copo vazio?!
PS: Maldita constipação
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