segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Das «más práticas académicas»: a ameaça da exclusão e o orgulho dos decisores

Já vos contei a estória da(o) nossa(o) mui prezada(o) colega que foi «convidada(o)» a suprimir uma referência ao mui adorado e detestado BSS na sua tese de mestrado?

Tanto quanto se sabe, a citação, além de bastante sintética, não constituía sequer um elemento fundamental na estrutura do trabalho.

Na sua inquietação de principiante, achou que BSS seria apenas uma referência útil (a juntar a muitas outras) sobre o conceito de «Estado-Providência».

No entanto, parece que isso terá bastado para «assustar» a(o) orientadora(o).

Pelo sim, pelo não (não vá o Diabo tecê-las!), é melhor clicar no botão direito do rato e cortar a coisa - sugeriu a(o) mui avisada(o) orientadora(o).

Porquê?

Porque o autor não é relevante para aquela problemática?

Claro que é relevante! (daí a azia dos invejosos)

Então porquê?

Porque, segundo a(o) orientador(a), «eles» poderiam não gostar da «brincadeira».

«Eles!?»

Pois, o júri.

Ameaçada(o) pela possibilidade de ver por um canudo o mui desejado título de mestre em sociologia, a nossa(o) mui prezada(o) colega decidiu seguir o mui oportuno conselho da(o) mui avisada(o) orientador(a).

Algumas semanas depois, a versão final da tese era defendida num auditório do instituto.

Bom, com distinção - clamou o júri.

E depois ouviram-se palmas.

(...)

Já dizia Jean-François Lyotard:

Entende-se por terror a eficiência obtida pela eliminação, ou pela ameaça da eliminação, de um parceiro, excluindo-o do jogo de linguagem que com ele se jogava. Ele calar-se-á ou dará o seu assentimento, não porque ele seja refutado, mas por estar ameaçado de ser impedido de jogar (há muitas espécies de impedimentos). O orgulho dos decisores, que não tem, em princípio, equivalente nas ciências, corresponde ao exercício deste terror. Ele diz, «adaptai as vossas aspirações aos nossos fins, senão...» (pág. 127, A Condição Pós-Moderna, 1ª edição 1979)

E os «terroristas» somos nós!?

4 comentários:

Luís Miguel Santos disse...

Afimal há terroristas sem turbante!?

Tenho, apenas, uma dúvida, depois disto...

O que são, então, as «más práticas acdémicas»!?

Daniel Figueiredo disse...

Eu também me sinto bastante confuso...

(temos de perguntar ao presidente da comissão científica de sociologia! ele deve saber, não é?)

Dautarin da Costa disse...

E as capas anti-terrorismo?? Onde andam??

Ikkuna disse...

A capa anti plágio é um insulto a todo e qualquer aluno. Assiná-la é a aceitação tácita desse estigma.