"...E para guardar na perpétua memória dos vindouros tudo quanto constitua ou represente manifestações da vida dos nossos antepassados, deveria construir-se um Monumento Nacional, como o Padrão da Raça, que consubstancie a alma do Império.
(...)
O Monumento nacional constaria de uma pirâmide de base rectangular (...) Arquitectonicamente seria dividida em zonas, correspondendo pela ordem cronológica aos vários pavimentos em que é dividido.
O pavimento térrio seria destinado a Necrópole, ou de Panteão Nacional, onde seriam recolhidas as cinzas de todos os filhos da raça, que por qualquer feito ou acção se tornaram dignos da sua memória ser perpetuada.
Em volta correria uma galeria, orlada de colunas, com seus pórticos e capiteis, coroados por estátuas representando os reis, os capitães e os chefes, que através dos tempos dirigiram e comandaram os portugueses.
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O segundo pavimento, a que a cobertura da galeria serviria de terraço, formaria a Catedral ou Basílica, em quatro corpos em cruz, constituindo naves de 75 metros de comprimento cada uma, e um altar ao centro, comum a tôdas, encimado por uma singela cruz.
Seguir-se-iam depois os outros pavimentos, destinados às Bibliotecas e Museus imperiais, aos salões de exposições permanentes das artes, das ciências, - de tôdas as manifestações da actividade histórica dos portugueses, de todo o Império, - salões de festas e de comemorações e consagrações nacionais: - onde todos os portugueses, e até estrangeiros, pudessem em presença dos factos, estudar e até viver a vida grandiosa dos nossos avós.
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O último andar, que constituiria o vértice da pirâmide, seria uma capela em forma de ermida, em posição simétrica à Catedral, com quatro grandes frestas (...) Sôbre a flecha do campanário, assentaria um globo, com janelas em forma de estrêlas, representando na sua posição relativa os principais planetas e constelações que iluminam o Império. Internamente seria instalado um observatório astronómico e meteriológico.
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Sobrepondo êste globo e apoiada num sôco com o crescente e a serpente, assentaria uma grande estátua de mulher, coroada por brilhante resplendor: para os católicos será a Virgem-Mãe (...) para os que não são cristãos, representará a Vida, a própria divindade Criadora.
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...será um sonho?...
Pensando bem as grandes obras humanas não foram nunca outra coisa do que sonhos - que se realizaram".
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Bem vindos ao Monumento Nacional de Almeida, João de, 1932, Ao serviço do Império V. O Estado Novo, pp. 362-367.
1 comentário:
«...deveria construir-se um Monumento Nacional que consubtancie a alma do Império»
Pois, pois.
E, já agora, porque não uma quarta ponte sobre o tejo, um aeroporto intercontinental em Bragança e uma linha de TGV para a Pampilhosa da Serra?
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades...mas a ideia é sempre a mesma: desbaratar o dinheiro dos contribuintes!
(eu até nem tenho nada contra as ditaduras...)
PS: quem ainda está dentro do espírito deste texto é o nosso actual presidente da República, para quem o 10 de Junho continua a ser o «Dia da Raça»!
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