quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

De uma entrevista que me fizeram

Ontem tive o privilégio de ser entrevistado por uma brilhante ex-aluna do instituto (tolero piadinhas...desde que sejam feministas!), que se encontra actualmente a fazer fieldwork para a sua tese de doutoramento: «The Study of Gender in the Social Sciences in Portugal».

Comecei por partilhar com ela a minha estupefacção pela quase total ausência do «género» na oferta curricular do departamento de sociologia (e dizem eles que são «eclécticos»!).

Acabei a falar da influência de determinados episódios da minha biografia no aprofundamento auto-didacta que tenho vindo a fazer (desde que percebi que só podia contar comigo mesmo) de alguns referentes analíticos habitualmente identificados com os gender studies (mais particularmente a tríade conceptual «corpo, género e sexualidade»)

De tempos a tempos, a questão regressa: o que nos faz («fez», se preferirem a retrospectiva) optar (ou, pelo menos, investir mais tempo/esforço/dedicação) por este ou aquele «domínio de investigação», por este ou aquele «objecto», por est@s ou aquel@s «autor@s», em detrimento (ou, pelo menos, em algum prejuízo de tempo/esforço/dedicação) de todos os outros «domínios», de todos os outros «objectos», de tod@s @s outr@s «autor@s»?

Convidado a reflectir sobre a minha trajectória de estudante de sociologia, descubro, mais uma vez, por experiência própria, que «todo o conhecimento é autoconhecimento» (Boaventura de Sousa Santos).

E ainda há quem apregoe (com o mesmíssimo dogmatismo de sempre) a necessidade imperiosa da «ruptura com o senso comum», ou seja, a ruptura com os «preconceitos», as «ilusões» e as «crenças» que animam o espírito d@ investigador@.

Rupturas e mais rupturas...

Para quê?

Os «gestores do saber performativo» que façam as rupturas que bem entenderem.

Nós ficamos com a inquietação do principiante.

E se tivermos de abandonar o país para realizar o sonho, assim o seja!

3 comentários:

Hugo Militão disse...

Uma excelente (talvez a única) recordação de MTIS I e MTIS II: «contarmos connosco»; contarmos com a nossa inquietação, com o nosso atrevimento.
Excelente trabalho que fizemos. E grandes momentos que passámos, a estudar um tema marginal ao "ecletismo" dos sociólogos do iscte.

Lá estás tu a citar BSS.Não te esqueças que é crime.

Daniel Figueiredo disse...

Ontem também falei dos trabalhos de MTIS!

Quanto a citar BSS...

...bom...

...toda a gente sabe que eu sou um caso perdido!

Luís Miguel Santos disse...

Vou ser chato: não vou fazer nenhuma piadinha!!!

MTIS, ao mesmo tinha-mos alguma liberdade e trabalhavamos de verdade... até tenho saudades desses tempos!

Qual será a validade de uma entrevista a um caso perdido? (será porque ele é representativo de alguma coisa!?)