Sendo o carácter reformista um traço central da política educativa da actual equipa do ministério da educação, que como sabemos (e como todos devem ficar a saber), é fortemente inspirada na retórica dominante no instituto acerca da reforma.
Passou esta noite na TVI uma reportagem (Um Grau de Diferença) sobre o ensino especial em Portugal e as consequências da reforma do ensino especial.
A reforma do ensino especial, proposta pelo actual governo, assenta em duas linhas orientadoras:
1- A inclusão do maior número possível de alunos com necessidades especiais de carácter prolongado no ensino regular
2- Transformar as escolas especiais em centros de recursos
Incluir, torna-se assim na palavra de ordem propagandeada ao melhor jeito populista... Com a passagem dos alunos com necessidades educativas especiais de carácter prolongado pretende-se, igualmente, transformar as escolas especiais (que até iam fazendo um bom trabalho) em centros de recursos, ou seja, em centros prestadores de serviços especializados que complementam o trabalho das escolas regulares. O que significa que os centros de recursos vão ter de continuar a desempenhar o mesmo papel (o das escolas especiais) sem terem acesso ao financiamento que até então tinham direito!
O trabalho da TVI (que infelizmente não se encontra disponível) demonstrou que a implementação da reforma do ensino especial está a ter sucesso na inclusão do maior número de alunos com necessidades educativas especiais de carácter prolongado em escolas do ensino regular... O problema é que:
1- não se proporcionou formação adequada a professores e auxiliares
2- não foram criadas infraestruturas adequadas
3- não existem materiais adaptados
Assim, até ver, o único resultado concreto, desta reforma, a poupança de recursos financeiros (objectivo alcançado... parabéns!!!)
Saudações do lado dos alunos com necessidades educativas especiais de carácter prolongado!!!
PS: não seria melhor pensar-se e discutir-se as reformas antes das impor (peço desculpa implementar)!?
domingo, 15 de fevereiro de 2009
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2 comentários:
Belo post.
(não vi a reportagem, mas já sabia do que se tratava porque a jornalista Ana Leal chegou a abordar a especialista em Ensino Especial cá de casa...)
Quanto a pensar e discutir reformas, como diria RPP, é «retórica anti-reformista»...
Viva a pseudo-inclusão!
Também não vi a reportagem...e a Ana Leal também não consultou nenhum especialista cá de casa,até porque cá em casa não existem especialistas em Ensino Especial...só especialistas em especializar-se,profissionalmente,em qualquer coisa.
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