segunda-feira, 20 de abril de 2009

A apropriação selectiva dos «clássicos» e a construção de um consenso disciplinar (2)

Segundo José Castro Caldas, a apropriação selectiva do pensamento de Adam Smith resulta da eleição de uma única obra do autor (A Riqueza das Nações) como O (em negrito, singular e letra maiúscula) contributo fundamental do mesmo para a teoria económica.

Tudo o resto, incluindo a «muito menos lida Teoria dos Sentimentos Morais», é arrumado na prateleira do acessório e/ou negligenciável e/ou impertinente e/ou irrelevante.

Preferencialmente, tudo o resto não deve ser lido - os famosos «convites à (não) leitura» que se fazem no instituto.

Mas, se chegar a sê-lo, deve servir apenas como exemplo pedagógico negativo para aquel@s que estão a aprender A Verdadeira Economia (alun@s) e como ocupação de tempos livres para (algum@s) daquel@s que estão a ensinar A Verdadeira Economia (professor@s).

Incentivados a (não) ler umas obras em prejuízo (favor) de outras, muit@s d@s futur@s licenciad@s em Economia não só ficam com uma ideia distorcida dos «clássicos», como também se revelam incapazes de imaginar outros possíveis quer para a ciência económica quer para o mundo de «obrigações e gratidões mútuas» que ela estuda e que el@s habitam.

Mas o que é essa incapacidade senão o sintoma de um consenso disciplinar?

[continua]

2 comentários:

Hugo Militão disse...

"se chegar a sê-lo, deve servir apenas como exemplo pedagógico negativo para aquel@s que estão a aprender A Verdadeira Economia"...esta é uma atitude muito perigosa para a estabilidade do saber performativo...imagina que há uns quant@s alun@s de economia radicais, malandr@s, aspirantes a academicistas, etc...no fundo, pessoas como n@s.

O melhor mesmo é esconder o «acessório», torná-lo inexistente.

Luís Miguel Santos disse...

Mas as prateleiras têm servir para alguma coisa!!!

Já adavas(mos) a estragar o negócio (sim, é sem àspas) à sociologia iscteana, agora é a economia... um dia destes somos barrados à entrada (que favor que me faziam!)!!!