Segundo José Castro Caldas, a apropriação selectiva do pensamento de Adam Smith resulta da eleição de uma única obra do autor (A Riqueza das Nações) como O (em negrito, singular e letra maiúscula) contributo fundamental do mesmo para a teoria económica.
Tudo o resto, incluindo a «muito menos lida Teoria dos Sentimentos Morais», é arrumado na prateleira do acessório e/ou negligenciável e/ou impertinente e/ou irrelevante.
Preferencialmente, tudo o resto não deve ser lido - os famosos «convites à (não) leitura» que se fazem no instituto.
Mas, se chegar a sê-lo, deve servir apenas como exemplo pedagógico negativo para aquel@s que estão a aprender A Verdadeira Economia (alun@s) e como ocupação de tempos livres para (algum@s) daquel@s que estão a ensinar A Verdadeira Economia (professor@s).
Incentivados a (não) ler umas obras em prejuízo (favor) de outras, muit@s d@s futur@s licenciad@s em Economia não só ficam com uma ideia distorcida dos «clássicos», como também se revelam incapazes de imaginar outros possíveis quer para a ciência económica quer para o mundo de «obrigações e gratidões mútuas» que ela estuda e que el@s habitam.
Mas o que é essa incapacidade senão o sintoma de um consenso disciplinar?
[continua]
Tudo o resto, incluindo a «muito menos lida Teoria dos Sentimentos Morais», é arrumado na prateleira do acessório e/ou negligenciável e/ou impertinente e/ou irrelevante.
Preferencialmente, tudo o resto não deve ser lido - os famosos «convites à (não) leitura» que se fazem no instituto.
Mas, se chegar a sê-lo, deve servir apenas como exemplo pedagógico negativo para aquel@s que estão a aprender A Verdadeira Economia (alun@s) e como ocupação de tempos livres para (algum@s) daquel@s que estão a ensinar A Verdadeira Economia (professor@s).
Incentivados a (não) ler umas obras em prejuízo (favor) de outras, muit@s d@s futur@s licenciad@s em Economia não só ficam com uma ideia distorcida dos «clássicos», como também se revelam incapazes de imaginar outros possíveis quer para a ciência económica quer para o mundo de «obrigações e gratidões mútuas» que ela estuda e que el@s habitam.
Mas o que é essa incapacidade senão o sintoma de um consenso disciplinar?
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2 comentários:
"se chegar a sê-lo, deve servir apenas como exemplo pedagógico negativo para aquel@s que estão a aprender A Verdadeira Economia"...esta é uma atitude muito perigosa para a estabilidade do saber performativo...imagina que há uns quant@s alun@s de economia radicais, malandr@s, aspirantes a academicistas, etc...no fundo, pessoas como n@s.
O melhor mesmo é esconder o «acessório», torná-lo inexistente.
Mas as prateleiras têm servir para alguma coisa!!!
Já adavas(mos) a estragar o negócio (sim, é sem àspas) à sociologia iscteana, agora é a economia... um dia destes somos barrados à entrada (que favor que me faziam!)!!!
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