quinta-feira, 25 de junho de 2009

Da iniciação sociológica (2)

Mas não é tudo: falta perguntar como é que o iniciando é introduzido no grupo, como é que ele/ela acede a um novo status social e como é que ele/ela aprende a respeitar os valores e regras do grupo.

Por outras palavras, falta perguntar quais são os «rituais de iniciação» próprios da iniciação religiosa e da iniciação militar.

Não é difícil perceber que o iniciando deve viver determinadas experiências antes de poder ser considerado um membro pleno do grupo religioso. Na igreja católica, por exemplo, o baptismo é essencial. Mas também é igualmente importante frequentar a catequese e envolver-se nas actividades da paróquia local.

No que respeita à iniciação militar, o termo «recruta» sintetiza bem as etapas pelas quais o iniciando deverá passar antes de ser considerado um elemento das forças armadas do seu país. Trata-se, como sabemos, de um curso intensivo de cultura militar que culmina, em caso de não-desistência, na tradicional cerimónia de juramento de bandeira.

Em qualquer dos casos, é através dos rituais de iniciação que se inscrevem no indivíduo o ethos da religião e o ethos das forças armadas, ou seja, tudo aquilo que não pode ser directamente transmitido pelos padres e pelos oficiais, justamente porque constitui a essência da fé religiosa e a essência da cultura militar.

É através deles que o iniciando aprende a ser um membro do grupo.

De corpo e alma.

E, não raras vezes, sem se dar conta do que lhe está a acontecer.

[continua]

1 comentário:

Hugo Militão disse...

Então e não continua hoje porquê. Assim, já sei que vou ter insónias. Vou sonhar com a «iniciação sociológica».