quinta-feira, 25 de junho de 2009

Engenheiro ou Sociólogo? Eis a questão

Há, sensivelmente, 2 anos, ainda frequentador da licenciatura em sociologia...bom,considerando a minha assiduidade no respeitante à frequência das aulas, talvez, «frequentador» não seja o termo mais apropriado, mas adiante...dizia eu, há 2 anos vivi um episódio, no mínimo, desconcertante. Não, não estou a falar de nenhuma desilusão amorosa (essas são muito menos desconcertantes).

A caminho de mais uma sessão de treino físico (já que o treino intelectual é pouco compensador...e já vão perceber porquê), reencontro um ex-vizinho: um avô respeitável (aquele tipo de avozinho impossível de não admirar). Muito cordialmente cumprimenta-me e, instintivamente, ao mesmo tempo que me focava um olhar curioso, saudoso e optimista, questiona-me:

Então rapaz, já estás na faculdade?

Igualmente entusiasmado, respondi:
Sim. Já estou no terceiro ano da licenciatura.

Admirável senhor: Boa! Estás a estudar engenharia, não é?

Ao que o sociólogozeco de meia tigela (eu, portanto) respondeu: Não. Estou a estudar sociologia.

Admirável senhor: xiiiiiiii...a sério. Oh rapaz, onde é que tu te foste meter. Mas achas que vais conseguir arranjar emprego quando terminares os estudos?

Completamente desfeito, limitei-me a encolher os ombros e a dizer «não sei, vamos ver».

A conversa, felizmente, ficara por ali...terminara com um virar de costas entre duas pessoas desgostosas, cabisbaixas...
O treino intelectual parece não ser recompensado (muito embora alguns gestores da sociologia performativa insistam na «sociologização» do mercado de trabalho). Até um avozinho (com todo o respeito pelos avós) percebe que aquilo é conversa fiada, ou melhor, conversa de quem quer continuar a angariar utentes para a sociologia isctiana (peço perdão, iuliana).

Hoje, reencontrei o admirável senhor. Uma vez mais, gentilmente, cumprimentou-me, e apenas me perguntou se já terminara o meu curso. Disse-lhe que estou no mestrado. Não arriscou perguntar-me qual o mestrado que frequento. Ainda bem...

...Ainda assim, o treino físico de hoje, tal como o do fatídico dia, correu muito mal!

3 comentários:

Luís Miguel Santos disse...

Meu caro, podeis intitular-vos num «engenheiro social» e assim num próximo encontro (in)esperado a caminho de um treino fisico, a tua capacidade intelectual será reconhecida, ou não!!!

PS: só há um problema, tu próprio (tal como eu) assumes não ser um sociólogo... e então! o que és (sou) tu (ou eu)?! És (sou) uma........da!!!

Unknown disse...

O desencanto com a instituição é total, colega Hugo. As vossas perplexidades sobre a Escola-Empresa (ou será empresa-escola?) são talvez elucidadas se considerarem as razões por trás da recentemente introduzida declaração anti-plágio. E neste caso o prémio palmadinha nas costas vai para… AFC. Precisamente o mentor da declaração anti-plágio, autor ou pelo menos mentor do código deontológico e ícone da sociologia performativa. Reza a história (abafada por quem pretende perpetuar o sistema de endogamia científica) que um aluno seu do mestrado, o J.Ferreira, plagiou um trabalho de um colega seu que também era seu colega no aclamado e premiado centro de estudos CIES. Ora, não é que AFC não só fechou os olhos a este plágio, como continua a trabalhar com esse “investigador” plagiador e fica com a consciência mais leve instaurando uma capa anti-plágio (pretendendo projectar uma decadente e podre imagem de idoneidade científica no ensino e no recrutamento de colaboradores para as actrividades de investigasão )!
Essa prevaricação tornou-se pelos vistos de um rito de iniciação sociológica pelo qual o AFC deve já ter passado…

Daniel, como bem disseste há umas temporadas, os docentes e investigadores não podem mais continuar acima de qualquer suspeita. Não podem também deixar de exclarecer quais os critérios de mérito no recrutamento de colaboradores para as actividades de investigação “gosto de ti, logo trabalhas comigo”

Daniel Figueiredo disse...

Hugo: qual de nós não viveu uma experiência semelhante? é por estas e por outras que deixei de falar sobre 'sociologia' com 'não-sociólogos'...para quê aborrecê-los (e aborrecer-me)?

Maria: qualquer que seja o testemunho (e o teu é muito bem vindo neste blog), a conclusão parece ser sempre a mesma...'A UNIVERSIDADE JÁ NÃO É AQUI'

Resta-nos, como diria Bill Readings, aprender a viver nas ruínas com 'pragmatismo institucional'...

Valha-nos a inquietação do principiante!