quinta-feira, 25 de junho de 2009

Da iniciação sociológica

Iniciação religiosa, iniciação militar: fará sentido falar, em termos análogos, de uma «iniciação sociológica»? Se sim, em que é que esta consistiria?

Partindo do princípio que toda a iniciação visa (1) introduzir o iniciando num grupo, (2) fazê-lo partilhar os valores e regras desse mesmo grupo e (3) dotá-lo de um novo estatuto social, talvez possamos ensaiar uma analogia tão fértil quanto prudente.

Vejamos, para já, os ideais-tipo da iniciação religiosa e da iniciação militar.

Em que grupo o iniciando é introduzido?

Resposta fácil: religião/grupo religioso (iniciação religiosa) e exército/forças armadas (iniciação militar).

Como se designa a nova condição social que se espera que o iniciando venha a obter?

Para simplificar, podemos dizer que a iniciação religiosa visa elevar o iniciando ao estatuto de membro de um determinado grupo religioso («crente»?) e que a iniciação militar visa transformar um civil num militar.

Que valores e regras o iniciando deve aprender a respeitar?

Embora grande parte das normas não esteja codificada e embora nem sempre o processo de iniciação de novos membros se faça segundo a ideologia oficial das instituições, podemos dizer, pelo menos em última instância, que o militar deve obediência a um código militar (relativamente autónomo do código civil) e que o crente deve obediência aos textos e símbolos sagrados da sua religião.

[continua]

1 comentário:

Hugo Militão disse...

Ou será a «iniciação sociológica» uma «iniciação religiosa»!?
E por que não uma «iniciação militar»...às vezes que estamos no meio de uma guerra.