sábado, 27 de junho de 2009

Instituto Universitário de Lisboa (antigo ISCTE): «sorria, você está a ser roubado» (conclusão)

De todas as promessas de Bolonha, esta era aquela que não podia mesmo deixar de ser cumprida, sob pena de inviabilizar qualquer perspectiva de sucesso do novo modelo de organização do ensino superior na UE: propinas de mestrados de continuidade = propinas das licenciaturas.

O próprio RPP, em várias ocasiões, sublinhou a importância da medida e o compromisso do departamento para assegurar que ela seria devidamente aplicada.

O primeiro ataque (indirecto mas eficaz) a esta promessa surgiu com a nova oferta curricular pós-graduada do departamento de sociologia: mestrados temáticos de 1ª categoria vs mestrados de continuidade de 2ª categoria.

Qualquer um(a) de nós, ao frequentar em regime de optativa cadeiras de mestrados temáticos, pôde aperceber-se da enorme diferença entre o ambiente de investigação destes e o falso aprofundamento científicodisto, disto e disto que estamos a falar) dos mestrados de continuidade nas suas múltiplas (e irrelevantes) «especialidades».

A mensagem que nos estavam a passar era inequívoca: «se quereis formação avançada em sociologia, não tendes outra hipótese senão escolher um mestrado temático» (isto, claro está, para quem pode €scolh€r...).

O segundo ataque, porventura ainda mais letal, surge com a engenharia jurídico-contabilística em torno da fixação da propina para o mestrado em sociologia (processo que tentei analisar nos vários posts desta série).

A propina deixa de estar indexada ao valor-referência do 1º ciclo para passar a obedecer à lógica mercantil (cada vez mais explícita/descomplexada) do departamento de sociologia.

Dir-me-ão: estou a fazer uma tempestade num copo de água (mais ou menos 25€).

Mas, por um lado, como lembra o Hugo, é o somatório das pequenas diferenças que faz a grande mais valia do sistema capitalista.

E, por outro, acrescento eu, é o somatório das pequenas falcatruas que faz a podridão moral daqueles e daquelas a quem chamamos «gestores do saber performativo».

ESTÁ ABERTO O PRECEDENTE (...)

3 comentários:

Hugo Militão disse...

Precedente que, diga-se, acaba de institucionalizar. E uma vez mais, praticamente, ninguém dará por nada.

Afc chateou-se connosco por, alegadamente, acusarmos flm de fraudulento (nunca dissemos tal coisa; foi afc que pensou que nós o dissemos - se ele pensou em fraude, então se calhar, o episódio do programa/unidade curricular plagiado(a) tratou-se mesmo de uma fraude).

Em relação ao episódio do «arredondamento» da propina...estou à vontade para afirmar de que se trata de uma fraude. Continuam a gozar com os alunos e a desfrutar de um emprego público (como disseste, não tão público quanto isso) seguríssimo.
O iul transformou-se, de facto, numa empresa. Em abono da verdade, numa grande empresa, onde vale quase tudo para aumentar o lucro.

Parabéns empresários de sucesso (hei-de postar sobre isto).

Dautarin da Costa disse...

Os mestrados a preço de saldo precisam, afinal, de gerar algum tipo de lucro. Decorrências das neo-burguesias de esquerda.

Luís Miguel Santos disse...

Mestrado de 2ª categoria!!! E eu que pensava (sim, eu penso!) que frequentava num mestrado sem categoria nenhuma!!!

Isto é vergonhoso!!! produzem a lei com as ambiguidades que em seguida vão explorar... FRAUDE! FRAUDE! FRAUDE! FRAUDE!!!?sen dúvida alguma. Não é uma lei, propositadamente, esburacada que legitima a mentira, a aldrabice e a falta de vergonha na cara...

PS: como já assumi, nesta séri de post's, não paguei multa por atraso no pagamento de propinas, mas estou trânquilo, porque tal como diz o povo: LADRÃO QUE ROUBA LADRÃO TEM CEM (100) ANOS DE PERDÃO!
Diga-se que não faço intensão de viver até aos 128 anos, por isso «aguentem-se!!!»