Tal como toda a iniciação, a iniciação sociológica também tem um espírito ascético.
O que é a «ruptura com o senso comum» senão um rito negativo destinado a expurgar o iniciando de toda a subjectividade individual?
Recordemos o que diz Émile Durkheim a este respeito:
Em suma, é necessário que o sociólogo se esqueça de si próprio e se transforme num novo ser.
Mesmo que isso o faça sofrer.
Pois só um puro asceta pode aceder à «verdade científica».
[continua]
Recordemos o que diz Émile Durkheim a este respeito:
É, portanto, necessário que o sociólogo, quer no momento em que determina o objecto das suas pesquisas, quer no decurso das suas demonstrações, se abstenha resolutamente de empregar esses conceitos formados fora da ciência e em função de necessidades que nada tem de científico. É preciso que se liberte das falsas evidências que dominam o espírito do vulgo, que sacuda de uma vez para sempre o jugo dessas categorias empíricas que uma longa habituação acaba, muitas vezes, por tornar tirânicas.[Les Règles de la Méthode Sociologique, tradução portuguesa, p. 64]
Em suma, é necessário que o sociólogo se esqueça de si próprio e se transforme num novo ser.
Mesmo que isso o faça sofrer.
Pois só um puro asceta pode aceder à «verdade científica».
[continua]
4 comentários:
Grande analogia!
Realmente, os «verdadeiros» sociólogos andam sempre com cara de poucos amigos...agora percebo porquê: é tudo uma questão de sofrimento.
Sofrimento sinto quando me recordo do período em que me pediam que me esquecesse de mim prórprio... eu quero ser um asceta ao contrário, ou seja, tentar esquecer-me de alguns «verdadeiros» sociólogos, mas sem deixar que eles nos esqueçam!
A anulação do "eu" na investigação sociológica é dos maiores paradoxos da sociologia, pois, contempla a ilusão de não incluir as subjectividades do autor. Porém, essa suposta não-inclusão regista-se apenas no domínio do manifesto.
Perdão!! Aparentemente, no domínio do manifesto. Um olhar treinado permite perceber as subjectividades do(s) autore(es) que afirmam a anulação do "eu" na empresa sociológica.
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