quarta-feira, 1 de julho de 2009

Da iniciação sociológica (5)

O que têm os «clássicos» de tão especial?


«Classicalidade».

(e o que é a «classicalidade»?)

Ao contrário do que podíamos ser levados a supor, não se trata de uma qualidade intrínseca de um texto ou de um autor.

Se um texto/autor possui um «estatuto privilegiado» (para usar uma expressão de Jeffrey Alexander) em relação textos/autores contemporâneos, não é porque exista algo nesse texto/autor que o promova imediata e inequivocamente ao panteão dos grandes textos e dos grandes autores, mas sim porque existe algo na «relação entre esse texto/autor e os discursos que se foram produzindo a seu respeito» (para usar a fórmula de Peter Baehr) que o transforma num ponto de referência obrigatório nas práticas pedagógicas e nas práticas de investigação dos sociólogos.

O estatuto privilegiado conquista-se (e perde-se) na trajectória de recepção dos textos/autores.

Não há duas trajectórias iguais: cada «clássico» aquire esse estatuto de uma forma distinta.

Por isso, como lembra Peter Baehr, não é possível determinar «critérios fixos de classicalidade».

[continua]

1 comentário:

Luís Miguel Santos disse...

Já percebi tudo!!! os clássicos não são lidos mas continuam a ter relevância por causa dessa tal de classic.....dade. Quem a tem, não a quer perder. E quem não a possui, não a consegue arranjar umq vez que nem é capaz de a pronunciar, logo, na sociedade de mercadorizada e mercadorizante a sua aquisição fica inviabiilizada!

Classic... quê?!!!