Tão mau ou pior ainda do que a selectividade na amostra de textos (que deixa de fora a obra-prima de Durkheim!) é a selectividade na abordagem aos textos escolhidos.
Algumas inquietações na forma interrogativa:
1. Por que é que a leitura dos textos não é acompanhada de uma análise dos seus contextos de produção?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de ler coisas sobre o tempo em que ele viveu)
2. Por que é que os interlocutores de Durkheim são divididos grosseiramente em «pioneiros» e «inimigos» da sociologia?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de conhecer melhor os seus críticos contemporâneos)
3. Por que é que se exclui tudo aquilo que pode contrariar ou suscitar dúvidas sobre a identidade e o significado da obra de Durkheim?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de perceber que a sua obra é repleta de descontinuidades, tensões e contradições)
4. Por que é que a abordagem aos conceitos se resume a arranjar-lhes uma definição operativa?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de perceber que o conceito de «anomia» é muito mais do que «insuficiente regulação normativa»)
5. Por que é que se repetem as mesmas fórmulas vezes sem conta?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de perceber que «tratar os factos sociais como coisas» não significa apenas «tratar os factos sociais como coisas»)
[continua]
Algumas inquietações na forma interrogativa:
1. Por que é que a leitura dos textos não é acompanhada de uma análise dos seus contextos de produção?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de ler coisas sobre o tempo em que ele viveu)
2. Por que é que os interlocutores de Durkheim são divididos grosseiramente em «pioneiros» e «inimigos» da sociologia?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de conhecer melhor os seus críticos contemporâneos)
3. Por que é que se exclui tudo aquilo que pode contrariar ou suscitar dúvidas sobre a identidade e o significado da obra de Durkheim?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de perceber que a sua obra é repleta de descontinuidades, tensões e contradições)
4. Por que é que a abordagem aos conceitos se resume a arranjar-lhes uma definição operativa?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de perceber que o conceito de «anomia» é muito mais do que «insuficiente regulação normativa»)
5. Por que é que se repetem as mesmas fórmulas vezes sem conta?
(falo por mim: só consegui entusiasmar-me verdadeiramente por Durkheim depois de perceber que «tratar os factos sociais como coisas» não significa apenas «tratar os factos sociais como coisas»)
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1 comentário:
Não convém complicar. A inoperância dos gestores da sociologia performativa é consciente. Todos eles se interrogaram e interrogam, como tu. Todos eles têm dúvidas. Todos eles têm curiosidade pela descoberta das respostas a estas inquietações.
Mas a manifestação dessa inquietação iria desmascarar a subjectividade de uma ciência que se pretende uma espécie de matemática social.
Como disse, não convém complicar.
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