segunda-feira, 10 de agosto de 2009

O estatuto dos comentadores e o desejo de originalidade (2)

Como ser original num domínio de conhecimento que já foi explorado milhares e milhares de vezes por outras pessoas?


Estando a fazer uma tese sobre Émile Durkheim, tenho-me confrontado insistentemente com esta questão.

Desde o dia em que comecei a trabalhar em exclusivo na tese, já atravessei várias crises de angústia.

Inicialmente, optei por delimitar ao máximo o universo de comentadores com os quais entraria em diálogo (a minha prioridade era conhecer a obra de Durkheim).

«Escolho dois ou três, leio-os e dou-me por satisfeito» - disse a mim próprio, tentando convencer-me que seria a melhor opção.

Foi o que fiz.

No entanto, tal como receava, logo surgiu a primeira crise de angústia: a tese que eu aspirava escrever já tinha sido escrita (há mais de 15 anos) por um antropólogo brasileiro!

Ainda por cima uma obra em português!

Lá se ia a fantasia (um bocado parva, confesso) de inaugurar qualquer coisa no campo das ciências sociais de língua portuguesa...

[continua]

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