Descubro, por mero acaso, que os estudantes do ensino superior até aos 23 anos irão beneficiar no ano lectivo 2009-2010 de um desconto de 50% no seu passe de transportes públicos.
Embora não saiba se esta medida é para continuar nos próximos anos ou se é apenas mais um item do pacote governamental de resposta à crise, não posso deixar de a aplaudir.
Porém, ao fazê-lo, dou-me conta de um paradoxo na minha condição de beneficiário: justamente agora que a mobilidade física deste vosso principiante bateu no fundo é que ela é generosamente subsidiada pelo Estado!
Dir-me-ão que 50% de desconto vem sempre a calhar (concordo).
Dir-me-ão que mais vale tarde do que nunca (concordo).
Dir-me-ão que a medida é dirigida sobretudo aos escravos da pendularidade jornaleira (concordo).
Mas nada me demove da convicção que outras dimensões da vida estudantil também podiam merecer a atenção dos governantes.
Por exemplo, a mobilidade intelectual.
A distância que vai de ideia a ideia, de intuição a intuição, de descoberta a descoberta, nunca é fácil de superar.
Tod@s temos consciência do quanto custa ir daqui ali e dali acolá quando estamos a fazer pesquisa para as nossas respectivas teses.
O problema não é ir a Entrecampos e voltar, mas sim ir a Durkheim e voltar.
Daí o pedido: Srs. governantes, não se arranja nenhuma medida eleitoralista de última hora para apoiar os pequenos e médios arqueólogos do saber?
Se querem que vos diga, isso é que vinha mesmo a calhar...
Embora não saiba se esta medida é para continuar nos próximos anos ou se é apenas mais um item do pacote governamental de resposta à crise, não posso deixar de a aplaudir.
Porém, ao fazê-lo, dou-me conta de um paradoxo na minha condição de beneficiário: justamente agora que a mobilidade física deste vosso principiante bateu no fundo é que ela é generosamente subsidiada pelo Estado!
Dir-me-ão que 50% de desconto vem sempre a calhar (concordo).
Dir-me-ão que mais vale tarde do que nunca (concordo).
Dir-me-ão que a medida é dirigida sobretudo aos escravos da pendularidade jornaleira (concordo).
Mas nada me demove da convicção que outras dimensões da vida estudantil também podiam merecer a atenção dos governantes.
Por exemplo, a mobilidade intelectual.
A distância que vai de ideia a ideia, de intuição a intuição, de descoberta a descoberta, nunca é fácil de superar.
Tod@s temos consciência do quanto custa ir daqui ali e dali acolá quando estamos a fazer pesquisa para as nossas respectivas teses.
O problema não é ir a Entrecampos e voltar, mas sim ir a Durkheim e voltar.
Daí o pedido: Srs. governantes, não se arranja nenhuma medida eleitoralista de última hora para apoiar os pequenos e médios arqueólogos do saber?
Se querem que vos diga, isso é que vinha mesmo a calhar...
1 comentário:
Grande post!
Porém, temo que o apoio aos arqueólogos do saber não figure em nenhuma das prioridades dos gestores do utilitarismo...enfim, resta a sina da ausência daquela intelectualidade que vibra e desafia a ordem conformista.
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