sábado, 12 de setembro de 2009

Da mobilidade intelectual

Descubro, por mero acaso, que os estudantes do ensino superior até aos 23 anos irão beneficiar no ano lectivo 2009-2010 de um desconto de 50% no seu passe de transportes públicos.

Embora não saiba se esta medida é para continuar nos próximos anos ou se é apenas mais um item do pacote governamental de resposta à crise, não posso deixar de a aplaudir.

Porém, ao fazê-lo, dou-me conta de um paradoxo na minha condição de beneficiário: justamente agora que a mobilidade física deste vosso principiante bateu no fundo é que ela é generosamente subsidiada pelo Estado!

Dir-me-ão que 50% de desconto vem sempre a calhar (concordo).

Dir-me-ão que mais vale tarde do que nunca (concordo).

Dir-me-ão que a medida é dirigida sobretudo aos escravos da pendularidade jornaleira (concordo).

Mas nada me demove da convicção que outras dimensões da vida estudantil também podiam merecer a atenção dos governantes.

Por exemplo, a mobilidade intelectual.

A distância que vai de ideia a ideia, de intuição a intuição, de descoberta a descoberta, nunca é fácil de superar.

Tod@s temos consciência do quanto custa ir daqui ali e dali acolá quando estamos a fazer pesquisa para as nossas respectivas teses.

O problema não é ir a Entrecampos e voltar, mas sim ir a Durkheim e voltar.

Daí o pedido: Srs. governantes, não se arranja nenhuma medida eleitoralista de última hora para apoiar os pequenos e médios arqueólogos do saber?

Se querem que vos diga, isso é que vinha mesmo a calhar...

1 comentário:

Dautarin da Costa disse...

Grande post!

Porém, temo que o apoio aos arqueólogos do saber não figure em nenhuma das prioridades dos gestores do utilitarismo...enfim, resta a sina da ausência daquela intelectualidade que vibra e desafia a ordem conformista.