terça-feira, 8 de setembro de 2009

Da prescrição das teses

Recebo um e-mail do departamento.

Entre outras informações muitíssimo valiosas para o meu trabalho (juro que não estou a ser irónico), fico a saber que «o curso de mestrado em Bolonha prescreve ao fim de 4 anos lectivos».

Embora já soubesse que um@ alun@ só se pode inscrever no máximo 2x o número de anos do seu ciclo de estudos (uma medida que considero ser bastante sensata), fiquei estupefacto com o uso do verbo «prescrever».

Não é difícil perceber que a pessoa que redigiu o e-mail se refere à validade legal do matrícula (i.e. o tempo limite que um@ alun@ tem para terminar a sua tese e/ou concluir alguma unidade curricular em atraso).

Ainda assim, ao deparar-me com esta relínquia de bom português, não pude deixar de evocar outro sentido para «prescrever»: o sentido mais geral de algo que perde o seu efeito.

Se nada dura indefinidamente, quanto tempo levará uma tese a prescrever depois de apresentada e defendida em sessão pública?

1 semana? 2 meses? 3 anos?

Não sendo propriamente muito estimulante a perspectiva de uma prescrição precoce (ena, tantos «p»), imaginem quão pouco estimulados se sentirão aquel@s que vêem as suas teses prescrever antes mesmo de serem teses...

É por estas e por outras que não vale a pena pensar muito nos prazos legais.

A grande luta é outra: garantir que a tese que deixámos ontem a marinar possa ser retomada hoje; e que a que foi retomada hoje possa fazer parte daquela que queremos deixar a marinar até amanhã.

3 comentários:

Hugo Militão disse...

"imaginem quão pouco estimulados se sentirão aquel@s que vêem as suas teses prescrever antes mesmo de serem teses" ... confesso que fiquei com as orelhas a escaldar depois de ler esta frase.

A minha grande inquietação também é essa que referiste no final do post: receio muito que o dia de amanhã coloque em causa o trabalho de hoje...tal como o trabalho de hoje colocou em causa o trabalho de ontem.

Como referiste, essa é a grande (e única) luta. Prescrição, prazos, inscrição, ???... esse mail não esteve mais do que uns minutos na minha caixa de correio electrónico.

Daniel Figueiredo disse...

Já recebeste aquele mail que diz que as pessoas que vão continuar a fazer a tese têm de entregar outra vez a «ficha-projecto» até 30 de Outubro?

Lá terá de ser, não é?

Uma boa razão para te dirigires aos serviços académicos: o passe sub 23 para estudantes do ensino superior (as pessoas que já têm 23 anos também são abrangidas).

Na última terça, quando lá estive, a funcionária carimbou-me um documento que permite beneficiar desse passe especial.

Vale a pena porque o desconto é de 50% face ao valor normal das assinaturas mensais...

Hugo Militão disse...

É provável que tenha recebido esse mail, mas ainda não o li e pelos vistos...já não preciso de o ler. Tu és a minha caixa de correio electrónico.

Passe sub-23. O que é isso?...o último escalão da formação...quando é que chegamos à equipa sénior...ou melhor, à selecção A?

Isso parece uma espécie de cartão jovem. Venha de lá esse desconto...mas espero que, no meu caso, não seja necessário (adiamento da entrega da tese por baixa médica).