sábado, 7 de novembro de 2009

A meninice que tenta sonhar

Acabei de ler Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, mais uma obra de Ondjaki.

Fui, ao longo das páginas em que a minha leitura se deleitava com as formas que as tintas tomavam, confrontado com a minha meninice que vai deixando de sonhar.

A personagem principal, um menino luandense que saboreia a vida nos sonhos das palavras e cores que brotam das estórias de gentes que respiram os dias com o calor das vivências, mostrou-me como a rotina de sobrevivência e necessidade desenfreada de consumo, característica do nosso tempo, pode entupir o nosso romantismo.

De que vale o pragmatismo quando nos esvazia o romantismo?

De que vale o pragmatismo quando nos esvazia aquela meninice que nos faz sonhar mudar o mundo?

De que vale o pragmatismo se nos tira o tempo de vivermos o nosso tempo?




"-Estórias de antigamente é assim que já foram há muito tempo?
- Sim, filho.
- Então antigamente é um tempo, Avó?
- Um lugar assim longe?
- Um lugar assim dentro."

Ondjaki

5 comentários:

Daniel Figueiredo disse...

Palavras muito bonitas, essas que Avó e neto trocam entre si.

A meninice vai longe.

Mas os sonhos ficam.

Oxalá realizes os teus, caro amigo!

Dautarin da Costa disse...

Espero que um dia possamos falar dos sonhos realizados na audácia do romantismo de viver o mundo.

Obrigado, meu caro amigo!

Luís Miguel Santos disse...

Fantástico mano, está muito bonito!!!

Continua a sonhar e nunca desistas de trazer à luz do dia esses sonhos em forma de realidade.

Hugo Militão disse...

Post com palavras bonitas. Comentários com palavras bonitas.

Só romantismo!

Só por causa disso:
- amo-vos!

Unknown disse...

A grande questão é o que sonhas tu, quer na tua meninice, quer neste mundo adulto onde te fechaste. O que sonhas tu Dauto?