Acabei de ler Avó Dezanove e o Segredo do Soviético, mais uma obra de Ondjaki.
Fui, ao longo das páginas em que a minha leitura se deleitava com as formas que as tintas tomavam, confrontado com a minha meninice que vai deixando de sonhar.
A personagem principal, um menino luandense que saboreia a vida nos sonhos das palavras e cores que brotam das estórias de gentes que respiram os dias com o calor das vivências, mostrou-me como a rotina de sobrevivência e necessidade desenfreada de consumo, característica do nosso tempo, pode entupir o nosso romantismo.
De que vale o pragmatismo quando nos esvazia o romantismo?
De que vale o pragmatismo quando nos esvazia aquela meninice que nos faz sonhar mudar o mundo?
De que vale o pragmatismo se nos tira o tempo de vivermos o nosso tempo?
"-Estórias de antigamente é assim que já foram há muito tempo?
- Sim, filho.
- Então antigamente é um tempo, Avó?
- Um lugar assim longe?
- Um lugar assim dentro."
Ondjaki
sábado, 7 de novembro de 2009
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5 comentários:
Palavras muito bonitas, essas que Avó e neto trocam entre si.
A meninice vai longe.
Mas os sonhos ficam.
Oxalá realizes os teus, caro amigo!
Espero que um dia possamos falar dos sonhos realizados na audácia do romantismo de viver o mundo.
Obrigado, meu caro amigo!
Fantástico mano, está muito bonito!!!
Continua a sonhar e nunca desistas de trazer à luz do dia esses sonhos em forma de realidade.
Post com palavras bonitas. Comentários com palavras bonitas.
Só romantismo!
Só por causa disso:
- amo-vos!
A grande questão é o que sonhas tu, quer na tua meninice, quer neste mundo adulto onde te fechaste. O que sonhas tu Dauto?
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