Crença nº 1: quem faz sociologia exerce sempre e necessariamente uma profissão e quem exerce uma profissão faz sempre e necessariamente sociologia
Esta crença é um efeito secundário da própria lógica argumentativa de AFC: quanto mais ele crítica a crença de que «quem faz...não exerce» e de que «quem exerce...não faz» (a variante cabeçuda do modelo dissociativo), mais ele é levado voluntária ou involuntariamente (aceitam-se apostas!) a defender a crença oposta («faço, logo exerço» e «exerço, logo faço»), que não é mais do que a variante cabeçuda da cultura profissional associativa.
AFC refere-se ao objecto da sua crítica como uma «ideia bizarra» que «não resiste a um mínimo de análise sociológica» e que constitui um «traço cultural inibidor de uma maior afirmação e de uma melhor prática da sociologia como ciência e profissão».
Mas será que não podemos dizer o mesmo a respeito da sua crença?
Não é igualmente «bizarro» achar que todos os modos de relação dos licenciados em sociologia com os saberes-fazeres sociológicos têm sempre e necessariamente um enquadramento profissional?
Ou que todas as situações laborais dos licenciados em sociologia favorecem sempre e necessariamente a mobilização dos saberes-fazeres sociológicos?
Quando me mandam areia para os olhos, não há nada melhor do que pedir emprestada, ao meu amigo Almeida Santos, uma das suas analogias-lubrificantes (a nossa «única salvação nas trevas», como dizia Gabriel Tarde):
Se é verdade que todos os motoristas têm carta de condução, nem todos os titulares do documento podem ser considerados motoristas...antes pelo contrário!
AFC refere-se ao objecto da sua crítica como uma «ideia bizarra» que «não resiste a um mínimo de análise sociológica» e que constitui um «traço cultural inibidor de uma maior afirmação e de uma melhor prática da sociologia como ciência e profissão».
Mas será que não podemos dizer o mesmo a respeito da sua crença?
Não é igualmente «bizarro» achar que todos os modos de relação dos licenciados em sociologia com os saberes-fazeres sociológicos têm sempre e necessariamente um enquadramento profissional?
Ou que todas as situações laborais dos licenciados em sociologia favorecem sempre e necessariamente a mobilização dos saberes-fazeres sociológicos?
Quando me mandam areia para os olhos, não há nada melhor do que pedir emprestada, ao meu amigo Almeida Santos, uma das suas analogias-lubrificantes (a nossa «única salvação nas trevas», como dizia Gabriel Tarde):
Se é verdade que todos os motoristas têm carta de condução, nem todos os titulares do documento podem ser considerados motoristas...antes pelo contrário!
5 comentários:
Que honra ser citado por vossa excelência!!!
A minha aposta (se o governo a cubrir caso eu erre) vai para acto involuntário de AFC.
Que esperar de um dos principais mentores e dirigentes da aps (associação portuguesa de sociologia) a não ser o elogio bacoco a um ÚNICO tipo de cultura profissional...qual lider sindical, partidário, marktear e, ou mesmo, religioso (até porque pensei que essas coisas das crenças fosse para os profanos da zona centro!)
A propósito de te ter citado: estava (urgentemente) a precisar de um lubrificante...
A propósito do termo «crença»: não é difícil imaginar a cara dele se alguém lhe dissesse que ele TAMBÉM tem crenças como qualquer ser humano; para ele, só os fracos ou os mal-intencionados é que têm crenças; os outros, os verdadeiros sociólogos, só têm hipóteses, conceitos e indicadores...
Eu acredito (ou melhor, a minha hipótese) que se ele fosse confrontado com o facto de ter «crencas», como qualquer ser humano, AFC, calmamente (com um sorriso nos lábios) ao mesmo tempo que te dava uma palmadinha nas costas, dizia, você até é capaz de ter razão...
O mtr simpatia é (im)batível!!!
Devíamos atribuir, anualmente, o prémio «palmadinha nas costas».
Acredito (ou melhor, a minha «hipótese») que AFC iria monopolizar a coisa com toda a naturalidade e...simpatia!
E qual é o mal dos monopólios?!
Ele até já está habituado a monopolizar, ou a dividir o poder, desde que mantenha o controlo...mas sempre com um sorriso encantador!!!
Atribua-mos-lhe a categoria especial, mérito e excelência na arte da «palmadinha nas costas»!!!
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