sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

as aventuras de AFC, o «anti-academicista» (acto III: estratégias)

Não, AFC não perdeu a fé na sua agenda hagiográfica.

Mudou de estratégia!

Enquanto, em 1988, os vários tipos de infiéis eram todos atirados para o mesmo saco (a «cultura de dissociação»), em 2004, eles estão distribuídos numa moderna tipologia de perfis profissionais.

Curiosamente, AFC equipara o ideal hagiográfico ao «perfil integrador», mas não se revela particularmente duro em relação aos perfis «rotinizado» e «desistente» (e, no entanto, teria mais do que razões para sê-lo, dado que nenhum destes dois, no seu entender, realiza o ideal da «cultura associativa»...antes pelo contrário!).

Os «rotinizados» e os «desistentes» são, quanto muito, vítimas deles próprios ou, então, vítimas dos verdadeiros bandidos: os «academicistas»!

Comparando a descrição específica do «perfil academicista» (texto de 2004) com a descrição geral da «cultura profissional dissociativa» (texto de 1988), chegamos à conclusão que o destinatário principal (exclusivo?) das suas críticas, tem sido, desde a primeira vez que abordou o tema, sempre o mesmo: o «sociólogo-academicista».

Crença nº 3: os «sociólogos-academicistas» personificam o ideal da «cultura de dissociação» e, portanto, é expectável (desejável?) que a sua dispersão acabe por retirar toda a popularidade à ideia de que «quem faz...não exerce» e que «quem exerce...não faz»

Incapaz de imaginar e/ou de conferir importância a outros pontos de ruptura entre ciência e profissão (ex: a «desistência» e a «rotinização» dos licenciados em sociologia) AFC torna-se incapaz de imaginar e/ou de conferir importância a outros obstáculos que não aqueles que já conhecia e que se sentia capaz de superar (ex: o «estado de graça epistemológico» dos «academicistas»).

É caso para dizer que nunca ninguém esteve tão perto de ganhar a batalha e, ao mesmo tempo, de perder a guerra...

Fiquem para ver: as aventuras de AFC, o «anti-academicista»!

5 comentários:

Luís Miguel Santos disse...

Para quem sempre viveu da academia, esse discurso é, no mínimo, mal-agradecido para com quem lhe enche o prato...

A falta de evidência empírica ainde se pode tolerar, agora a cobardia de não dizer o(s) nome(s) do(s) seu(s) alvo(s), é chocante!!!

A vergonha e a hipocrisia podiam ter alguns limites!?

Daniel Figueiredo disse...

Eu também acho que ele é sobretudo um mal-agradecido e que, lá no fundo, bem lá no fundo da alma (se é que ele ainda não a vendeu ao diabo!), este «anti-academicista» é o mais feroz «academicista» de todos...

Pode ser que ainda pegue nesta ideia!

Quanto aos inimigos imaginários da ciência que ele cria e alimenta como se fossem ratinhos de laboratório, começo a duvidar seriamente se «ele» ACREDITA MESMO que «eles» existem...ou se isto tudo não é apenas uma manobra de diversão para se atribuir ainda mais importância e para aparecer, vindo do nevoeiro, como uma espécie de salvador da sociologia portuguesa...

Dautarin da Costa disse...

Ou então, podemos estar perante um novo tipo de academicista...o academicista Robin dos Bosques.

Luís Miguel Santos disse...

Tudo é possível...

A minha maior dúvida é: quem terá sido o diabo que lhe comprou a alma e será que foi com dinheiro das nossas propínas?!

Daniel Figueiredo disse...

Para aquilo que pagamos de propinas, a alma deve ter saído bastante cara...