terça-feira, 24 de março de 2009

«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (introdução)

Escaldado pelas críticas que lhe vinham sendo endossadas desde a publicação de Les Règles de la Méthode Sociologique (1894), Émile Durkheim decide escrever um texto para acabar de vez com a polémica em torno daquilo que ele considerava ser o objecto sui generis da sociologia.

Esse texto seria publicado em Maio de 1898 na Revue de Métaphysique et de Morale com o título «Représentations individuelles et représentations collectives».

Nele, Durkheim recorre aos princípios da teoria da «cadeia dos seres»...
  1. a realidade estrutura-se em quatro níveis (por ordem crescente de complexidade: mineral, biológico, psíquico e social);
  2. cada nível de realidade resulta em parte (!?) de uma combinação de elementos do nível anterior (o seu substrato).
...para desenhar uma analogia entre a relação das representações colectivas (A) com o seu substrato (B) e a relação das representações individuais (C) com o seu substrato (D):
  • A está para B assim como C está para D;
  • A vida social está para o seu substrato psicológico (as consciências individuais) assim como a vida psíquica está para o seu substrato biológico (as células do cérebro);
  • De acordo com a teoria da «cadeia dos seres», ambas as relações só podem ser relações de independência relativa;
  • Logo, o objecto da sociologia (representações colectivas) é distinto do objecto da psicologia (representações individuais).
Parece simples, não é?

Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»

1 comentário:

Hugo Militão disse...

É simples, sim senhor. Tudo muito objectivo. Raciocínio mais do que matemático. Aliás, a matemática, ao pé deste raciocínio, é muito subjectiva.
Hilariante!