terça-feira, 24 de março de 2009

«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (III)

Consciente das graves lacunas na sua argumentação a propósito da natureza do substrato e do processo de síntese, Durkheim acaba por se concentrar naquilo que ele considera verdadeiramente importante e acima de qualquer discussão: o facto (!?) de se produzir algo novo.

Não interessa que não se saiba como é que se produz vida; interessa é que ela existe.

Sans doute, nous ignorons comment des mouvements peuvent, en se combinant, donner naissance à une représentation. Mais nous ne savons pas davantage comment un mouvement de transfert peut, quand il est arrêté, se changer en chaleur ou réciproquement. Pourtant, on ne met pas en doute la réalité de cette transformation; qu'est-ce donc que la première a de plus impossible? Plus généralement, si l'objection était valable, c'est tout changement qu'il faudrait nier; car entre un effet et ses causes, une résultante et ses éléments, il y a toujours un écart. C'est affaire à la métaphysique de trouver une conception qui rende cette hétérogénéité représentable; pour nous, il nous suffit que l'existence n'en puisse pas être contestée.

[«Représentations individuelles et représentations collectives», 1898, pág. 18]

Segundo Durkheim, há sempre uma distância («un écart») entre a resultante e os seus elementos que é ininteligível para os cientistas (entre os quais o sociólogo).

Mas então, nesse caso, em que se baseia a ideia de uma realidade social sui generis?

Num salto de fé?

Fiquem para ver: «Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?»

1 comentário:

Hugo Militão disse...

Não associes o Durkheim à fé. Isso é demasiado ofensivo. O homem foi um «matemático social», e tu acusa-lo de «dar um salto de fé». Nada mais ofensivo.
Independentemente disso, concordo inteiramente.