quarta-feira, 8 de abril de 2009

Da estatística como instrumento de performatividade (3)

A propósito
desta passagem d'As Regras:

Durkheim afirma que os «casos importantes e numerosos» por ele citados «bastam» para «provar» que «o facto social é distinto das suas repercussões individuais».

Mas o próprio Durkheim ressalva logo a seguir que, para observar o facto social em «estado de pureza», é «indispensável» recorrer a «artifícios de método».

Ou seja: a realidade é o que eu digo que ela é, mas mesmo que não se pareça com o que eu digo que ela é, arranjarei maneira de fazer com que ela se pareça com o que eu digo que ela é!

(e ai de alguém que coloque a hipótese de estar enganado...)

Em bom rigor, nem é preciso averiguar se os «casos importantes e numerosos» chegam para «provar» o axioma da «dissociação».

Durkheim desiste num ápice de fazer valer a sua «prova» no debate das ideias.

De repente, os ditos «casos importantes e numerosos» deixam de contar.

Mas se a «prova» não conta, então o que passa a contar no lugar da «prova»?

[continua]

3 comentários:

Hugo Militão disse...

"(e ai de alguém que coloque a hipótese de estar enganado...)"
Epah oh Durkheim! É só para dizer que estás enganado.

Dautarin da Costa disse...

Passa a contar o quadro, a gaveta, o ponto que é, simultaneamente, de partida e de chegada...

Luís Miguel Santos disse...

E eu que pensei que AFC tinha alguma originalidade na imposição da sua perspectiva acerca da questão da profissionalização dos licenciados em sociologia (vulgo, sociólogos)... E ainda há quem desvalorise o contributo dos clássicos!!!

Óh Hugo, bater em mortos não vale... o código deontológico dos licenciados em sociologia não o permite!!!