A propósito desta passagem d'As Regras:
Durkheim afirma que os «casos importantes e numerosos» por ele citados «bastam» para «provar» que «o facto social é distinto das suas repercussões individuais».
Mas o próprio Durkheim ressalva logo a seguir que, para observar o facto social em «estado de pureza», é «indispensável» recorrer a «artifícios de método».
Ou seja: a realidade é o que eu digo que ela é, mas mesmo que não se pareça com o que eu digo que ela é, arranjarei maneira de fazer com que ela se pareça com o que eu digo que ela é!
(e ai de alguém que coloque a hipótese de estar enganado...)
Em bom rigor, nem é preciso averiguar se os «casos importantes e numerosos» chegam para «provar» o axioma da «dissociação».
Durkheim desiste num ápice de fazer valer a sua «prova» no debate das ideias.
De repente, os ditos «casos importantes e numerosos» deixam de contar.
Mas se a «prova» não conta, então o que passa a contar no lugar da «prova»?
[continua]
Durkheim afirma que os «casos importantes e numerosos» por ele citados «bastam» para «provar» que «o facto social é distinto das suas repercussões individuais».
Mas o próprio Durkheim ressalva logo a seguir que, para observar o facto social em «estado de pureza», é «indispensável» recorrer a «artifícios de método».
Ou seja: a realidade é o que eu digo que ela é, mas mesmo que não se pareça com o que eu digo que ela é, arranjarei maneira de fazer com que ela se pareça com o que eu digo que ela é!
(e ai de alguém que coloque a hipótese de estar enganado...)
Em bom rigor, nem é preciso averiguar se os «casos importantes e numerosos» chegam para «provar» o axioma da «dissociação».
Durkheim desiste num ápice de fazer valer a sua «prova» no debate das ideias.
De repente, os ditos «casos importantes e numerosos» deixam de contar.
Mas se a «prova» não conta, então o que passa a contar no lugar da «prova»?
[continua]
3 comentários:
"(e ai de alguém que coloque a hipótese de estar enganado...)"
Epah oh Durkheim! É só para dizer que estás enganado.
Passa a contar o quadro, a gaveta, o ponto que é, simultaneamente, de partida e de chegada...
E eu que pensei que AFC tinha alguma originalidade na imposição da sua perspectiva acerca da questão da profissionalização dos licenciados em sociologia (vulgo, sociólogos)... E ainda há quem desvalorise o contributo dos clássicos!!!
Óh Hugo, bater em mortos não vale... o código deontológico dos licenciados em sociologia não o permite!!!
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