Na lição inaugural do curso de ciência social e pedagogia leccionado em Bordéus (1888), Émile Durkheim chega à conclusão que a melhor forma de convencer os detractores da sociologia («quelques penseurs [...] qui doutent de notre science et de son avenir») é «fazer ver que ela existe e que ela vive» («faire voir qu'elle existe et qu'elle vit»):
Se a única forma de demonstrar a sociologia é fazer ver que ela existe e que ela vive, a única forma de fazê-la existir e de fazê-la viver é fazer existir um objecto sui generis e fazê-lo viver no espírito de tod@s aquel@s que escolheram dedicar-se à ciência social.
Nada mais do que o social; nada menos do que o social.
Não interessa que ninguém saiba o que é o social.
Interessa é que tod@s @s praticantes da sociologia o tenham bem presente nas suas cabeças.
Sem este salto de fé (e sem os inúmeros rituais que mantêm acesa a respectiva chama), a «Sociologia Científica» não seria possível.
E o primeiro a reconhecê-lo é o próprio Durkheim, quando afirma que «uma dissertação, mesmo excelente, nunca converteu um único incrédulo» («une dissertation, même excellent, n'a jamais converti un seul incrédule»).
Depois admiramo-nos com o enfraquecimento do debate (eis um bom exemplo do mau exemplo de alguém que foi canonizado como «Pai Fundador» da sociologia): quem trata os seus adversários como «incrédulos» (i.e. pessoas que não partilham da mesma fé) não pode ter muita consideração pelo confronto de ideias...
Cependant je ne puis oublier qu'il y a encore quelques penseurs, peu nombreux à la verité, qui doutent de notre science et de son avenir. On ne peut évidemment en faire abstraction. Mais, pour les convaincre, la meilleure méthode n'est pas, je crois, de disserter d'une manière abstraite sur la question de savoir si la sociologie et viable ou non. Une dissertation, même excellente, n'a jamais converti un seul incrédule. Le seul moyen de prouver le mouvement, c'est de marcher. Le seul moyen de démontrer que la sociologie est possible, c'est de faire voir qu'elle existe et qu'elle vit.[«Cours de science sociale - leçon d'ouverture», 1888, pág. 4]
Se a única forma de demonstrar a sociologia é fazer ver que ela existe e que ela vive, a única forma de fazê-la existir e de fazê-la viver é fazer existir um objecto sui generis e fazê-lo viver no espírito de tod@s aquel@s que escolheram dedicar-se à ciência social.
Nada mais do que o social; nada menos do que o social.
Não interessa que ninguém saiba o que é o social.
Interessa é que tod@s @s praticantes da sociologia o tenham bem presente nas suas cabeças.
Sem este salto de fé (e sem os inúmeros rituais que mantêm acesa a respectiva chama), a «Sociologia Científica» não seria possível.
E o primeiro a reconhecê-lo é o próprio Durkheim, quando afirma que «uma dissertação, mesmo excelente, nunca converteu um único incrédulo» («une dissertation, même excellent, n'a jamais converti un seul incrédule»).
Depois admiramo-nos com o enfraquecimento do debate (eis um bom exemplo do mau exemplo de alguém que foi canonizado como «Pai Fundador» da sociologia): quem trata os seus adversários como «incrédulos» (i.e. pessoas que não partilham da mesma fé) não pode ter muita consideração pelo confronto de ideias...
4 comentários:
A modernidade é social. Logo, a sua existência ou falta dela, explica o social. Afinal, que parte do social não explica o que quer que seja do social?
Eu também não sei...
(isto tá a ficar demasiado confuso para mim!)
Primeiro a crença e só depois o debate. Isto é o quê?? Uma religião que tem no Social pelo Social o seu Deus invísivel?
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