quarta-feira, 25 de março de 2009

«Mamã, como é que se fazem as representações colectivas?» (conclusão)

No derradeiro parágrafo do texto, Durkheim regressa ao ponto de partida, do qual, em bom rigor, nunca se terá chegado a afastar:

Au-delà de l'idéologie des psychosociologues, comme au-delà du naturalisme matérialiste de la socio-anthropologie, il y a place pour un naturalisme sociologique qui voit dans les phénomènes sociaux des faits spécifiques et qui entreprenne d'en rendre compte en respectant religieusement leur spécificité.

[«Représentations individuelles et représentations collectives», 1898, pág. 22]

Um «naturalismo sociológico» que vê nos fenómenos sociais «factos específicos» e que se propõe dar conta deles respeitando «religiosamente» a sua especificidade...

...«religiosamente» (!?)

Não, car@s principiantes, não é uma metáfora; é uma prescrição moral!

Tendes dúvidas como é que se fazem as representações colectivas?

Resposta de Durkheim, o «socionauta»: só os fracos têm dúvidas; aos fortes basta-lhes acreditar e espalhar a fé.

Sendo assim: «oremos

3 comentários:

Hugo Militão disse...

Isto é mesmo verdade?! No post anterior, termino o meu comentário, referindo que Durkheim recusa a fé. Pelos vistos não. Estava enganado. Fui iludido pelo Durkheim canónico. Mas aquele comentário serve para os canonizadores do Durkheim eclético.

Dautarin da Costa disse...

Como nos ensina o mestre Javeau, ao sociólogo-aprendiz cabe a escolha da sua pequena religião.

Daniel Figueiredo disse...

Prefiro dizer que esta é a «grande religião» da qual todas as outras são apenas «cultos secundários»...